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29 de jan de 2015

Disritmia



O tempo é meu maior contraponto de equilíbrio. Se antes eu buscava por algo que nem mesmo sabia, hoje eu sei o quanto sou decidida a ponto de pular sem medo. Meu único inimigo tem sido o tempo. Andando pelas fases da vida, eu aprendi que sempre vou tropeçar em algum buraco. Sempre. E quanto mais eu tento ser e dar o meu melhor, vai ter sempre alguma coisa faltando ou algo que vai me atrapalhar nessa caminhada. Além disso, sempre estarei mudando de ideia em relação as coisas da vida.

Fui gerada pelas coincidências nas quais, fizeram nascer em mim boas lembranças, as atuais alegrias - e as melhores histórias ainda não escritas. Dia e noite eu costumo fazer uma revisão de vida: se antes o que era certo e bom hoje não faz sentido algum, hoje posso ver também que coisas boas que nunca jamais foram previstas,  fazem sentido. O tempo é uma coisa divergente, o passado diz tanto sobre o nosso presente, mas o futuro a gente tenta adivinhar o tempo todo. O que eu quero agora pode não ser o meu querer daqui um tempo e isso soa tão estranho. Eu queria controlar o tempo, ah, como eu queria. 

Aliás, tudo pra mim, na maioria das vezes, soa estranho.

Talvez seja minha maneira de ver as coisas que modifica tudo. Essa mania de querer fazer tudo do meu jeito. O choque de realidades, a exaustão diária e alguns conflitos internos. Aparento ser menos sensível do que sou, mas sou mais frágil quanto uma pétala de rosa. Busco minhas forças no silêncio diário. Tento não me misturar pra não fugir de quem eu sou. Mas às vezes não adianta. Tem dias que eu me sinto tão diferente, mas outros dias, me sinto só mais uma pessoa que acorda cedo, enfrenta um trânsito de caos, estuda o dia inteiro e só sabe falar de assuntos acadêmicos e sempre reclamar da falta de sono...o coração de alguns anos atrás não consegue lidar com os atuas fatos, circunstâncias e pessoas. É a total falta de ritmo entre minh'alma sonhadora e a razão.

É o descompasso.
Desalinho.
Disritmia.

Sou filha do acaso, parente do caos. E eu já deveria ter me acostumado com isso.



20 de dez de 2014

Baseado numa história real



Quando a gente ama, tudo muda de figura. A gente passa a ver a vida de um jeito mais bonito, e passa de certa forma a pensar ''a dois''. É muito ruim e chato viver sozinho, com uma boa companhia ao lado a vida fica muito mais bela e o mundo parece ser menos caótico também. Depois de passar a vida me decepcionando, aprendi a esperar menos e exigir menos dos outros, se é que me entendem. Amores vem e vão e isso é tão normal, aceitei, depois de ser surpreendida de forma desagradável. Pra quê culpar os outros? A gente aprende que a fraqueza faz parte do nosso cotidiano, e passa a depositar menos culpa nas pessoas, mesmo aquelas que nos fazem chorar. Afinal, elas também são humanas.

O amor sabe ser lindo e também sabe ser traiçoeiro. Graças a Deus, eu experimentei os seus vários extremos e a pior luta sempre foi contra mim mesma. O coração é uma casa de muitos quartos, e como eu já disse em vários textos, sempre foi difícil pra mim dizer adeus. A felicidade sempre foi o meu objetivo, mas o que eu sinto hoje não tem nome, e nem palavras. Todos os dias eu sento no meu cantinho e tento achar as palavras certas pra descrever tudo que eu sinto. Mas é tão difícil, que eu desisto e prefiro viver mais um pouquinho pra ver se consigo.

Eu o encontrei quando não quis. Hoje, o que eu sinto é maior que todos os amores que eu já amei, de todos os textos de amor que já escrevi e de todos os sentimentos que já senti. É aquele sentimento de despojamento que eu dificilmente sentiria por alguém de novo, mas ele me faz sentir tudo isso. É como se os nossos corações já pertencessem um ao outro muito antes. É grande demais para ser descrito aqui.

Sabe quando você pensa muito em alguém, que até estranha a intensidade desses pensamentos? Sabe quando você olha a foto de alguém e ao mesmo tempo surge em seu peito uma vontade estonteante de encontrar aquela pessoa? Sabe quando você não consegue se ver sozinho realizando a maioria dos seus sonhos? Eu sei. Quando isso começou? Não sei. Só sei que não quer parar, e nem quero quero que pare, porque eu vi nele alguém pra amar por toda a vida. Alguém pra conversar, viajar o mundo e contar meus segredos mais obscuros, aqueles que eu prometi a mim mesma que ninguém jamais saberia. E ele sabe. Ele sempre soube fazer eu me sentir segura, porque além de segurança, eu vi verdade em seu olhar. É diferente de um olhar hipócrita, um olhar verdadeiro sincero é fácil de se identificar. Pessoas assim brilham. E seu brilho se propaga numa intensidade gigantesca.

Num mundo onde a maioria das pessoas ainda acham que o amor é uma grande complexidade, algumas experimentam a aventura de desvendar aos poucos os códigos de um grande amor - e uma delas sou eu. Os indícios são claros. Nunca tive muita sorte na vida, mas só de pensar que sou uma aventureira no meio de tantos corações flutuando um busca de sentido, dá vontade de viver isso da melhor forma possível. E de escrever tudo que se passa. E isso, porque eu tenho alguém. Eu tenho ele. Comigo. Ainda bem. 

Aliás, não tem como descrever a beleza de alguém e nem a beleza dessa história de amor em ocorrência. Porque tudo que eu sei sobre ele, é a beleza de suas palavras, de seus gestos, ações e olhares. Tudo é tão belo que os defeitos apenas servem para aplicar uma dose de realidade aquilo que chamamos de relacionamento, mas o amor, no mais profundo da alma - é belo e perfeito! Não tem como explicar, porque o amor...o amor simplesmente acontece. Eu vi nele aquilo que ninguém jamais veria, porque só ele, e somente ele, me completa da melhor forma possível. O que eu sinto é melhor do que todos os finais felizes que já vi na tv, em filmes, ou em histórias. Porque é de verdade - e eu posso sentir aqui e agora. No momento que eu enxerguei aquele rapaz entrando pela janela da minha vida, invadindo com propriedade e preenchendo lugares impreenchíveis, no mesmo dia em que nós nos cruzamos pelo acaso, ele também havia entendido tudo. Era pra ser e é. E pronto - acontece. 

(E continua acontecendo...)


9 de dez de 2014

Lembranças de biblioteca




Chove lá fora como a muito tempo não chovia. Amanhã tenho um dia repleto de emoções.E é numa madrugada de insônia em meu leito que ironicamente recupero boa parte de minha subjetividade e viajo nas lembranças mais remotas sobre bibliotecas. Bibliotecas são marcantes, de fato. Durante toda a minha vida sempre senti uma grande afeição pelo ambiente bibliotecário. Encantava-me o fato de inúmeros livros alinhados em estantes por diversos assuntos variados. Era bonita a estética daquela sala.

Quando criança, mais precisamente no ensino fundamental, gostava de passar o tempo na biblioteca lendo gibis e até contos infantis.Passava longe da estante de ''livros de adultos'', aqueles sem ilustrações e cheios de palavras. A preferência, inicialmente, era por historias bastante ilustradas. Histórias com animais como protagonistas eram bem comuns e também faziam parte das minhas favoritas também. Depois de um tempo, as histórias sem ilustrações também tinham preferência. Lembro-me que li fábulas bem pequenas num livro que reunia algumas fábulas de Esopo. Um livro dessa época que deixou marcas indeléveis em minha alma foi ''O cachorrinho samba''. Como sempre, os animais protagonizando tudo.  Lembro que nessa biblioteca também tinha jogos de tabuleiro, e algumas vezes, eu nem prestava atenção nos livros. Aquele ambiente era totalmente propício a varias partidas de ''resta 1'' ou ''jogo de damas e xadrez'' com amigos. E ali tive os melhores ''recreios'' da minha vida, sem dúvida alguma.

Quando a gente cresce um pouco, as responsabilidades começam a surgir e comigo não foi diferente. Então aquele lugar primeiramente voltado ao lazer, tornou-se também um lugar de reflexão e propício ao estudo. As prateleiras e estantes encantavam-me da mesma forma, porém existia algo mais forte do que a vontade de explorar todos aqueles livros contidos ali. E foi durante o ensino médio que eu ia para a biblioteca para estudar. Isso não era uma tarefa muito ardua, por que as responsabilidades eram poucas ainda, mesmo sendo difícil conciliar a formação de professores com o pré vestibular. Raramente procurava aquele lugar para ler algum conto ou viajar em alguma história. Lembro-me que do mesmo modo, os bancos da biblioteca eram ótimos para sentar e conversar com as amigas. Passávamos o tempo ali conversando sobre várias coisas e dúvidas típicas de nossa fase pré adulta. Como sempre, o ambiente era muito propício a amizade. E era ali que eu tive as melhores ''aula-vagas'' da minha vida. 

Hoje estou na faculdade, e as coisas mudaram um pouco.Ou melhor, muito. Sou adulta e tenho responsabilidades mais sérias. Cada escolha e atitude deve ser feita com cuidado, e podem mudar todo o contexto. Bem...agora raramente tenho algum amigo pra passar o tempo comigo ali. Geralmente frequento a biblioteca sozinha - somente acompanhada de algumas matérias para estudar.  A biblioteca da faculdade é um mundo, muito maior do que eu já vi na escola primária ou no ensino médio. Os livros alguns bem antigos, são cheios de peculiaridades. O cheiro da biblioteca é diferente, o tamanho e a estrutura também.Prefiro ''os livros de adultos'' sem imagens e repletos de informações. Existem ali livros de todos os idiomas possíveis e sobre milhares de assuntos, entre teses e dissertações de mestrado/doutorado, as quais amo vasculhar para ficar lendo as dedicatórias e agradecimentos. Aliás, prefiro essa parte das teses/dissertações, porque eu gosto de saber quem esteve ao lado daquela pessoa e o que a motivou a escrever e a defender algo por tanto tempo.Gosto do ambiente para estudar - é o lugar mais silencioso o da faculdade, acreditem. Mas também, gosto de sentar ali e refletir sobre meus sonhos e objetivos. Fico às vezes perdida no meio de tanta informação, mas eu me divirto. Gosto de passear pelos corredores vazios da biblioteca da Faculdade de Letras buscando ser surpreendida. Essa é a verdade.  E ali tenho alguns dos momentos mais surpreendentes da minha formação acadêmica. 

Resumindo: não há nenhum lugar do mundo, onde abra tantas janelas, para diversos lugares e tempos históricos, do que uma biblioteca. É sempre uma experiência transcendente e surpreendente. Às vezes a gente se perde em alguns corredores, estantes e livros buscando se encontrar. E isso é o que há de mais incrível nesse lugar. Ainda espero verdadeiramente me surpreender mais ainda com diversas bibliotecas pelo mundo afora - por que não?



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