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16/10/2014

Ninguém te perguntou




Você é o sujeito principal de uma história sem protagonistas. Ou melhor, vocês é só mais um dos milhares de protagonistas. Tanto faz. Porque na verdade somos muitos seres. Humanos? Ás vezes. A questão é que já virou rotina, o que era pra ser mais emocionante. No futuro, eu não imaginava a vida assim: acordar, tomar banho e sair - sem esperar o que pode acontecer ao longo do dia - esperando então, o menos pior. Comer, quando der, talvez. Milhares de responsabilidades. Enfrentar filas caóticas. Trânsito caótico. Realidades caóticas que não temos poder pra mudar. Aliás, não temos controle de nada.

O ruim de acordar pra vida é ver que tudo o que você passou no período em que estava ''dormindo no ponto'' não pode voltar nunca mais, e dificilmente irá se repetir. Desculpe se eu tenho déficit de atenção. O ruim de crescer é ter que aceitar as coisas tal como são. Todo mundo um dia já quis mudar o mundo. E como Cazuza mesmo já disse,'' que aquele garoto que ia mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro''. Penso que cada vez mais estou assistindo tudo de cima do muro. O espaço tá acabando. Um dia o muro cai. 

A cama parece mais confortável agora. E ao mesmo tempo que ela me abraça no final de um longo dia, ela me desmotiva a viver a vida e permanecer nela para sempre. Tinha mais gente por aqui antes. Sumiram. Nem percebi. O tempo corre como um jato. Cadê as minhas horas? Foram instantaneamente devoradas por um monstro chamado responsabilidades da vida adulta. Não tá legal isso. É preciso organizar o mundo outra vez. Eu não me encaixo por aqui. Alguém vem arrumar essa bagunça por favor? Deve haver alguns espaço para as minhas ideias quase-utópicas. Não há? Ok. Já era de se esperar.

O que tá acontecendo, eu não sei. O que é mais importante? Sabedoria? Conhecimento? Respirar? O que tem de errado é difícil falar. É a política. É a fome nos países subdesenvolvidos. É o mundo que nunca vai te compreender. É a sede de escrever. É o nada que significa tudo. É o tudo que na verdade não significa nada.  É a falta de dinheiro. As desgraças cotidianas. É o medo, é a síndrome, é o pânico. É o medo de viver, é a síndrome do pânico. São os problemas. É o descaso. É a falta daquilo que mais importa. Dinheiro. É o tempo. São os pódios. São as quedas.Você vai sobreviver. Você precisa resistir. Mais um dia. Outro. E outro.

São os pontos de ônibus lotados, que recebem ônibus igualmente lotados - e você ali, sendo mais um triste cidadão lutador e sonhador. São as chegadas. São as partidas. É o peso do fracasso. É tudo ao mesmo tempo. Você não é de ferro, mas precisa. É o cansaço. É a intelectualidade. É sentimentalizar as coisas. É a sorte. É o azar. É a falta de coragem. É o fim. É o que começou. É procurar fazer o que ninguém fez. E esquecer. Esquecer de você. Não temos tempo pra tristeza. E nem pra baixa autoestima. Não esquecer daquilo que ninguém lembrou. Não pode, não deve. A máquina deve girar. O mundo funciona assim. Tá difícil pra todo mundo. É assim mesmo. Vai doer. Vai sangrar. Vai ferir. Tenha foco. Não é tempo de hesitar. Sua hora  já chegou.

Você realmente está bem assim? 
Ninguém te perguntou.



10/10/2014

Dear friend





Há algumas semanas atrás eu me queixava com um novo amigo, numa manhã de segunda-feira dentro de uma biblioteca, sobre a minha nova incapacidade de escrita. Inconformada, dizia para ele, lamentando, que por mais que eu tentasse, não era a mesma coisa. Ele também me contava os acasos de sua jornada escrita e artística. Juntos, naquela biblioteca tentávamos achar um no outro a explicação pra tantas mudanças. É inegável. Ele dizia-me que quanto mais conhecimento adquire, menos sentimentaliza as coisas. Concordei em gênero e em número. Hoje em dia tenho muito mais prioridades, como por exemplo, minha vida acadêmia, o aprendizado de línguas estrangeiras e outras dificuldades que ocupam o meu tempo e aos poucos, me matam por dentro. Às vezes tenho a súbita impressão de que o mundo está mais transparente. Sabemos o que acontece de bom, de ruim, e simplesmente aceitamos. E foi isso que aos poucos aconteceu comigo. 

Por aqui, antes - não tão antes - , havia mais melancolia. Havia uma lua cheia na janela, músicas antigas, dor, lágrimas e um relógio que passava as horas tão rápido que quando eu percebia, já era manhã. Havia perdas mas não definitivas. Eu vivia mil vidas numa noite, e a escrita fluía, no cotidiano, numa conversa e em tudo que eu fazia. Eu via palavras em tudo, idéias e mil e uma possibilidades. Eu estudava pessoas. Essa era a minha essência, que me cortava por dentro, que dilacerava o meu ser, mas era a arte escrita que eu insistente, produzia. 

Agora é assim: eu aprendi a matar no meu inconsciente pessoas que ainda estão vivas em mim. Porque elas realmente não existem mais. Há pessoas vivas ainda, que morreram em mim, mas porque eu precisava me libertar delas. E isso já não é mais um bicho de sete cabeças. Estou constantemente revendo os meus conceitos, e tão preocupada com a consequência das coisas que acabei esquecendo-me do agora. Esses dias pessoas que assumiram papéis importantíssimos na minha vida, voltaram a aparecer dizendo estar com saudades. Pensei: como deixei essas pessoas fugirem do meu cotidiano? E na mesma hora respondi: do mesmo modo que eu fugi de mim. Na verdade, até eu sinto saudades de mim mesma.

Então, ainda conversando com o mesmo amigo, ele me perguntou, tímido e sorridente: ''Será que você não consegue lutar pelos seus objetivos sem perder a essência? Tenta!''. E depois disso, introspectivamente, eu consegui achar explicação certa para o que eu procuro. O difícil da vida não é perder coisas ou pessoas. Não é ser bem sucedido ou um zé ninguém. Não é ter sorte ou azar, não é ter tempo para o que a gente considera importante. O que é realmente desafiador na vida, é passar por tudo que tivermos que passar, tanto pelos pódios, como pelas derrotas e mesmo assim, com tudo isso nas costas, conseguir conservar uma coisa que é só nossa: a essência. 

E - talvez -  eu tenha aceitado esse desafio...

01/09/2014

ad hominem per litteras - porque não resta mais nada


É preciso muita cautela para recomeçar, e pensando bem, eu nunca fui muito boa nisso. Escrever pode ser como andar de bicicleta, ou como o andar bípede. Alguns nascem com as letras incrustadas em suas veias, pode parecer até uma pré-disposição genética. Já outros, buscam apenas um aprendizado básico, um gancho e o resto, é resolvido por conta própria. Eu sou um caso perdido, porque escrevo com a alma – e aos trancos e barrancos. Escrevo tudo aquilo que dói, pra amenizar a dor. Às vezes escrevo sobre o que faz feliz, buscando alguma forma de exteriorizar o que transborda. E quando paro de escrever, é porque me perdi de algum caminho – ou na verdade, me encontrei. Às vezes quando a gente se encontra, parece perdido, porque na verdade nunca estamos verdadeiramente prontos pras novas coisas que nos cercam. A gente tenta, arrisca. Nessa vida é tudo período de adaptação.

Poderia dizer que ‘’felizes são aqueles que possuem lápides!’’ como andei pensando nos últimos dias, quando chorando – porque não aguentava a pressão da vida – peguei um ônibus, numa semana dessas atrás. Afinal, eles não precisam sentir dor, e nem ouvir as piores notícias num telejornal, à noite. Nem se preocupar com a prova de latim daqui a 10 dias. Eles não sentem a frustração de esquecerem um guarda-chuva em casa, num dia nublado. Mas como dizer isso, se eles não sentem a luz do sol que entra pela janela, invadindo o quarto, todos os dias, pela manhã? Então no meio a dor de existir, é possível sim, encontrar algumas alegrias cotidianas. Como as tantas outras pequenas coisas que costumo entulhar aqui no meu coração.

Onde estávamos mesmo? Ah...ad litteras!

Nunca tive tanta dificuldade pra escrever, porque em suma, a dificuldade não estava presente no viver também. Não consigo pensar nas dificuldades da vida de uma pessoa de 15 a 18 anos, com uma vida basicamente confortável e com saúde. Uma vida sem dificuldade, gera imaturidade pra muitas outras dificuldades que ainda virão. Alguém poderia ter me contado isso antes né? Enfim, esta sou eu: a imatura, que não sabe lidar nunca com nada. Permito-me ser realista, pelo menos agora.

Rasgando verbo, verbalizo. Quem nunca tem coisas pra contar? Na verdade um texto é isso. Uma vontade de contar alguma coisa. Um texto na verdade é um monólogo sobre um nada, que na verdade, quer ser alguma coisa. É como um jardim, pronto para ser cultivado, é como o meu coração nesse exato momento. Intrínseco ao existir. Uma esponja, que tenta absorver em partes, a dor da vida, quase sempre suavizada e escorre, ao ser pressionado – usando eufemismo – nesse caso, pela sociedade. Um texto na verdade, pode ser tudo que eu deixo de falar com os outros. Todas as vezes que o outro não entende o que meu olhar quer dizer, porque na verdade, as pessoas são na maioria das vezes, distraídas demais. E eu sou um belo exemplo disso, uma verdadeira distraída. A ponto de esquecer-me de mim mesma, quase sempre.

Escrevendo descobri o mundo. Não escrevendo, descobri a pior parte de ser eu mesma. A parte chata que a gente não conta pra ninguém (são poucos os que fazem uma má propaganda de si mesmos, e meu espírito narciso quase sempre vence nessas disputadas pessoais). Hoje eu sou aqueles que eu tanto julgava. Hoje eu sou aquela que sonha como uma tarde em Paris, porque antes – pra mim – isso era palhaçada. Hoje eu sou aquela tal contraditória, que faz as coisas que lhe faz mal, e deixa de fazer aquilo que lhe faz bem. E ousa a responder ‘’não sei’’ quando lhe fazem aquela pergunta básica: ‘’tá tudo bem?’’. Hoje eu sei o quanto preciso aprender mil coisas, e que o ensino até pode ser ‘’superior’’ mas eu vou continuar sendo a mesma, se não ousar mais – nas coisas mais ou menos importantes. É estranho perceber que em cada época de nossa vida, nós somos moldados sem perceber. Hoje estou aqui, no mesmo lugar e no mesmo quarto onde antes costumava escrever sobre os meus sonhos, decepções, alegrias, realizações, frustrações e hoje sou apenas... eu, mas dessa vez, não a mesma de sempre – e tudo aquilo que eu ainda não escrevi.

Em suma, não é só isso, mas sinto que o texto deve acabar por aqui (o corpo do texto, porque na verdade, ele é uma contínua rotação de fantasia com realidade. Desculpe a abstração. )

Te vejo por aí, enquanto eu escrever, enquanto eu existir... 

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