A lua que eu não te dei

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A noite caiu e no céu surgiu um brilho sem igual. Apresentava-se sem pudor, despindo-se na noite ali mesmo acima de todos. Assim também era em outros lugares do mundo  – branca cintilante, circular e encantadora, iluminando as casas, iluminando a rua. Era assim que a lua invadia o céu naquela noite de verão. Era cheia, não era minguante. Minguante mesmo era a situação que se passava entre nós a tempos e só eu que ainda não queria acreditar.

A lua está lá de novo, pondo-se em cima de nós. Uma vez alguém me disse que a lua é a mais democrática exposição de todos os séculos: onde quer que estejamos, na noite, ela sempre aparece. E a noite é realmente o templo da saudade agora: faz-me lembrar do momento em que prometemos que seriamos um do outro para sempre, e claro que mesmo sem você notar, a lua assistia de lá de cima nosso juramento. E ela foi o selo. E nós fomos à correspondência do seu brilho magnifico.

Depois daquele dia a noite tinha vazão e a lua já tinha significado. Na janela do meu quarto, pelos vidros transparentes e largos ela procurava meus olhos, enquanto minha mente buscava você. Era como se ela estivesse clamando minha atenção, e me mostrava você. Ela queria a sua presença e eu concordava. Nós conversávamos sobre você, nos olhávamos por horas, mas eu só conseguia ver o seu rosto através dos meus pensamentos e ela era como uma ponte, um espelho.E era assim, todas as noites.

De uns tempo pra cá a lua foi mudando de fases. Fases realmente, decisivas e amargas. Descobri que o perfeito brilho notável foi só metade. Ficou órfão, fosco.  É tragicamente assustador sentir a dor de uma lua compadecendo-se em luz e clamando de amor. E pensar que eu quis te mostrar como era maravilhoso o brilho da lua e o seu significado pra nós. Quis te mostrar o selo que sempre ficou acima de nós, o tempo todo, toda noite. Mas você não me deu tempo e saiu sem qualquer dúvida, saiu e se foi. E nunca mais voltou. Se apagou,migrou. Minguou.

A lua ainda brilha, sabe. Todos os dias. Ela ainda me faz lembrar você ás vezes. Ela é minha e sempre será – e eu sei que todas as noites ela vai buscar meus olhos pela mesma janela, mas a minha mente agora clama para te esquecer. A lua agora é nova, crescente. E agora já posso vê-la a tardinha , quando o sol se faz o tímido e sai para descansar. Da noite, ela já não era mais exclusiva. Pra mim, era despedida. E você vai olhar para ela, todos os dias, até os últimos dias a sua vida. E ao olhar você jamais irá notar que, desde sempre, ela sempre foi sua. Sempre. Você que não quis. 

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15 Comente!

  1. Olá Sabrina! Venero, e muito, a lua. Amos suas fases e acho todas essenciais. Tem uma postagem que falo disto, confira e veja as outras também. Abraços.

    http://lua-lobo-candeia.blogspot.com.br/2012/10/a-lua-e-cheia-nao-ha-estrelas-ha-morte.html

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  2. Só eu lembrei daquela musiquinha antiga que tem no refrão

    " a lua que eu não te dei ..." ?

    Faz uma visita?
    http://peoplecrazystipoeu.blogspot.com.br

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  3. Texto profundo. Quanto as mudanças, elas são sempre precisas, fazem toda a diferença, embora nem sempre nos parecem serem as certas. Gostei do desenvolvimento da crónica, parabéns linda.

    Visite se puder: http://laudypoemas.blogspot.com

    Beijos!!!

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  4. Muito Bonito.
    A foto então: Sensacional.

    "E ao olhar você jamais irá notar que, desde sempre, ela sempre foi sua. Sempre. Você que não quis."
    Brilhante analogia, muita gente não quer aquilo que o faria feliz. E muitas vezes quando se dão conta é tarde demais.

    www.cchamun.blogspot.com.br
    Histórias, estórias e outras polêmicas
    https://www.facebook.com/outpolemicas

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  5. Ao olhar pro céu quase sempre nos lembramos de alguém, a lua te lembra de alguém especial, eu lembro de pessoas especiais quando vejo as estrelas, céu é umas coisa linda, infinita, mágica, acho que é isso. Lindo o texto!
    Bjs
    alien-days.blogspot.com

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  6. OLá Sabrina, boa tarde!

    Oh, ó Lua!
    Sempre motivo, e para sempre musa inspiradora, seja de textos, poemas e enredos para novelas, filmes.
    O teu texto está magnífico, amiga, porque apresenta a nossa Lua, de forma diferente, é como se fosse ela um ser, um alguém, e de forma democrática como bem acentuou em teu escrito. Gostei demais da tua Lua. Parabéns!

    BJos da Lu...

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  7. Uau, amei o texto e super lindo.

    Parabéns!

    Tem promoção no blog, participe!

    http://fernandabizerra.blogspot.com.br/


    Beijokas!

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  8. Olá!Bom dia!
    Sabrinna
    Belo texto!Gostei da analogia da Lua e as suas fases com as mudanças...
    penso que a Lua é o único astro que se mostra receptivo para quem habita a Terra. Não é distante como as estrelas, nem se esconde como os planetas. Deixa que a olhem e tem cumplicidade. À medida que se sucedem as quatro fases da Lua, a Lua determina ciclos e fluxos da vida, e é ao seu ritmo que um espaço vazio pode ser preenchido, a expectativa de complementaridade nos relacionamentos...
    Obrigado pelo carinho da visita!
    Belo final de semana!
    Beijos

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  9. Olá Sabrina!
    A lua é mística...inspiradora. Eu ás vezes perco a noção do tempo admirando a lua.
    Opa valeu pelo comment! Eu procurei deixar os cadernos em preços acessíveis levando em conta que são personalizados.
    bjs

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  10. Oi Sabrina , nossa quanto tempo que não visito esse seu cantinho, o layout está lindo.
    A lua sempre será a inspiração para textos maravilhosos.
    beijos

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  11. Nossa Sa, acho que esse foi o post do Spiderwebs que eu mais gostei. Adorei de verdade esse texto! Eu nunca tinha pensado antes na Lua como uma "prova" de uma promessa, mas faz todo sentido. Também adorei a comparação que você fez do relacionamento estar minguando... Se você realmente estiver passando por isso na sua vida, desejo que ele volte a crescer e se tornar tão cheio quanto antes, se assim você quiser, claro.
    -xoxo

    http://s2juuh.blogspot.com/

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  12. "E você vai olhar para ela, todos os dias, até os últimos dias a sua vida. E ao olhar você jamais irá notar que, desde sempre, ela sempre foi sua. Sempre. Você que não quis."
    Você deu um "sentido" tão belo para a lua que eu não vou mais olhá-la sem relembra-lo.
    Li o texto com alguém na cabeça, alguém para qual eu também dei a lua e não a aceitou, alguém que me da saudades, e um tanto de vontade de esquecer.
    Gostei do blog, você escreve muito bem, parabéns.
    http://denovomaisumavez.blogspot.com.br/

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  13. Esse seu texto me lembrou da época em que escrevia coisas românticas. Ah, minha adolescência!

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