Esse negócio de ansiedade

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Eu nunca fui boa em esperar as coisas. Em outras palavras, a ansiedade é o meu segundo nome. É o que, na essência, me faz acordar e não olhar no espelho. Me faz roer as unhas sem ligar pra estética. O que me faz comer igual uma louca desenfreada e ficar jogada na cama o dia todo esperando o tempo passar. O que me faz nem abrir os livros, nem ler, nem folhear. O que faz meu guarda-roupa continuar bagunçado e a pia cheia de louças. O que me faz acordar e começar a chorar.

Eu já conquistei tanta coisa nessa vida. Conquistei coisas que pareciam impossíveis, conquistei coisas boas e coisas ruins. Amigos e inimigos. Oportunidades e desafios. Mas parece que todas essas coisas, agora, são inúteis. Eu não consigo ser feliz assim, perdendo alguma coisa que ainda não ganhei. Alguma força estranha tende sempre a me empurrar numa ladeira que só cai, o que me faz inútil, pelo menos é assim que me sinto. Vivendo num pesadelo, pisando em ovos. É como ver todos os meus sonhos sendo lançados de um precipício e ficar assistindo isso de cima do penhasco enquanto a dor transpassa a alma, e a vida fica sem graça. O que ando fazendo por mim? E do nada, a vida perde o sentido.

Acho que vivo mesmo numa ilusão, como me disseram esses dias. Talvez eu seja mesmo uma pessoa iludida, que não acorda pra vida. Aquela que vive acreditando que esses sonhos, metas e planos que possui algum dia poderão se tornar realidade. As vontades mais bobas. As metas mais fáceis e os sonhos mais impossíveis.Porque não comigo? Não, não comigo. Além disso, tantas pessoas aí querem as mesmas coisas e talvez estejam assim que nem eu, pensando no fracasso de suas vidas medíocres mesmo com as vitórias que carregam nas costas e com essas pessoas, somo uma equipe. Há momentos que pareço uma bomba relógio.

Mas não consigo conter essa panela de pressão em que estou, ela não desliga e aumenta de pressão quando me dizem as vitorias alheias tentando me diminuir. Ao mínimo dos mínimos. Nunca pedi pra vencer e muitos menos, refletir pela sombra dos outros. Não preciso saber de quem tem uma vida ótima, mesmo que não me incomode. Mas isso me mostra o quando sou insignificante para o mundo lá fora, que eu não faço a diferença no mundo que muitas pessoas fazem. Meus conflitos tornam os meus textos mais confusos a cada dia, como as minhas ações. Será que me falta os pés no chão?

Acho que esse negócio de ansiedade atrapalha tudo. Deixa nossa vista embaçada para as coisas boas que temos em nós. Impede-nos de fazer mais por nós mesmos e pelos nossos sonhos e metas. Deprecia-nos muito mais, nos decepciona em dobro. O medo nos corrói por dentro. A tristeza toma conta dos nossos dias. E quando abrimos os olhos para a vida real vemos uma série de acontecimentos: o jeans apertado, o quarto desarrumado, a pia cheia e o coração em desalinho, cansado, entristecido e quebrado.

 E agora? Você sabe. Espera.
 Talvez seja a hora de voltar.



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'' Eu quis encontrar um jeito de nunca morrer, e a partir daí, eu comecei a escrever.''

'' Se tem uma coisa que eu aprendi sobre a dor, é que na maioria das vezes, ela também é a cura''

'' Que eu nunca perca essa vontade de escrever. Jamais. O mundo parece uma prisão, às vezes. Escrever é como abrir janelas.''


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