Quando maio chegar

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Dessa vez vou fazer diferente. E essa frase não é igual aquelas frases que usamos todo começo de ano, que nunca se cumprem. As coisas estão mesmo diferentes. Aliás, tudo em volta tem mudado demais nos últimos tempos. Mudou aqui dentro e lá fora. Por exemplo, já aprendi a admitir o quanto sou egoísta e o quanto eu odeio admitir isso, mas admito. É um progresso. Aprendi a perceber que ás vezes, um pouquinho de normalidade com doses de clichê não faz mal a ninguém, muito pelo contrário (sua bolsa é igual a minha? que legal, temos bom gosto!). Aprendi que em um segundo, as coisas podem mudar de salada de camarão pra coxinha de padaria. E vise-versa. (acho que aprendi a fazer metáforas culinárias também).

Quando maio chegar eu não vou querer ser o centro das atenções. Não mais. Vou tentar vê-lo como um mês normal, apesar de ser ‘’o meu mês’’. (Ai ai, olha eu sendo egoísta de novo. Imagina: nesse mundo, tantas pessoas nascem todos os dias. No mês de maio então, devem ter milhares. Algumas até no mesmo dia que eu.) Tá bom, o nosso mês pessoas que aniversariam no mês de maio. Felizes?

Quando o décimo terceiro dia do quinto mês do ano chegar, eu vou aceitar que fiquei mais velha por fora, mas por dentro ainda vou ser aquela de antes. Aquela que você conheceu e acha que mudou completamente. Talvez ela tenha mesmo mudado, mas só um pouquinho. Aquela mesmo. Eu vou aceitar que não terei uma festa lotada cheia de conhecidos e muitos amigos. Vai ser como sempre. Vou ter apenas um bolinho comprado na lanchonete da cidade com uma vela simbólica em cima ou uma comemoração pequena entre amigos – só os verdadeiros, aqueles que não podem faltar. E serei lembrada pela minha família, como de costume.

Quando maio chegar eu vou querer alguns poucos mimos e pouca farra. Querer mimos não significa querer coisas materiais – mas se eu ganhar mesmo algumas coisas materiais, tipo roupas, cosméticos e tudo mais, também ficarei feliz. Tá bom, muito feliz. Ok. Radiante! Porém, tem gente que sabe encantar com palavras, gestos e ações. E isso não tem preço ainda. Só queria que palavras de motivação, afeto e ânimo marcassem mais as nossas vidas do que palavras destrutivas que dizemos e ouvimos todos os dias. É pedir demais?

Eu quero fazer diferente do ano passado e pior do que eu faria ano que vem. Eu vou querer familiares por perto e algum motivo verdadeiro pra sorrir. Tipo ainda estar viva e não ser mais um caso ou vítima  da violência urbana que vemos nos telejornais todos os dias. Ser lembrada por alguém que eu nunca pensei que se lembraria de mim também seria uma boa. Aliás, uma ótima. Adoro surpresas. E isso não foi uma expectativa. Tá bom, foi sim. Mas vamos fingir que não. Eu odeio me decepcionar.

E se eu não estiver mais aqui, que neste texto-crônica fique marcado o quanto eu tinha vontade de viver o quinto mês do ano de uma forma diferente. De quanto eu acharia legal ter dezoito anos de idade e ser a adulta mais complexa do universo. Mas se eu ainda estou aqui, esperando por ele, é que alguma coisa ainda tem que acontecer. Se Deus quiser, qualquer coisa. E eu espero que seja assim, quando maio chegar.


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4 Comente!

  1. Achei divertido o parágrafo dos presentes kkkk Radiante!
    E tirando que eu poderia ser presa, não senti nada de diferente quando fiz 18. D: hahaha

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  2. Oi Sá
    Belo texto, reflexivo. Eu nunca esqueço do seu niver, vc nasceu no dia em que casei, lembra?! Espero que seja um dia bem especial para vc, pois vc merece tudo de bom, vc é super especial!
    Bjos.
    http://ashistoriasdeumabipolar.blogspot.com.br/

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  3. Lindo texto, futura estudante de letras! Você leva jeito com elas (as letras, as palavras) Como uma ex-estudante de letras, te dou a maior força para que você leve adiante esse projeto. Meus parabéns!!
    Ah! E, a propósito, também sou do mês de maio...

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