24 horas sem internet

00:20

Acordei. Levantei da cama, dei uma passada no banheiro para cuidar das primeiras necessidades, aquelas que temos assim quando acordamos. Antes mesmo de preparar o café da manhã, já pus o notebook em meu colo e fiz o que faço todos os dias: olhei os comentários no blog, atualizei algumas redes sociais, conversei com algumas pessoas e tudo mais. Passou uma hora. Duas. Três. Quando se aproximou da hora do almoço, saí da minha incrível zona de conforto e me dispus a preparar o almoço, contra minha vontade, já que não tinha mais ninguém pra fazer isso. 

Enquanto a comida estava no fogo, voltei para meu isolado mundo virtual. E foi nesse momento que aconteceu uma coisa inesperada: A INTERNET PAROU.  Me abandonou. O desespero entrou em ação. Liga modem. Desliga modem. Nada. Será problema no wi-fii? O telefone estava sem linha, era problema no telefone. Passou uma hora. Duas. E nada da internet funcionar. E agora? O que farei? – foi o que pensei. Sentei e aceitei. A primeira coisa que eu fiz foi imaginar que a postagem do dia ficará atrasada. A segunda foi me sentir sozinha e pensar em tudo que eu queria escrever pra compartilhar nas redes sociais, além das pesquisas que eu nunca lembro de fazer, lembrei justo nessa hora. E a terceira coisa que eu fiz, foi aceitar isso como uma coisa não tão ruim, mais uma experiência que eu tinha que ter alguma hora. E pronto. 

Esqueci de tudo como se não houvesse jamais sinal de vida virtual nos meus dias anteriores. Vi televisão, o que não é muito bom, mas em alguns canais existem programas legais e construtivos. Li um pouco, arrumei a casa direito e conversei com a minha irmã. Olhei o pôr-do-sol e deitei um pouco na minha cama para relaxar. Olhei as pessoas da minha casa nos olhos. Me olhei melhor no espelho, fiz anotações de coisas pra escrever, e sabe, isso não foi tão ruim quanto parece. Meu dia pareceu mais longo, apreciei a escuridão da noite, o silêncio e a tranquilidade fora do mundo virtual. Pensei nos meus planos, metas, no que está errado e no que eu tenho que consertar. 

Acordei e no outro dia, fiz as mesmas coisas de sempre. Deitei e quando ia começar a fazer o almoço, o técnico veio consertar a linha telefônica, o que ocasionou em poucos minutos a volta da internet. 24 horas sem internet. E enfim, ela, voltou. Aleluia! Na mesma hora, vim checar e-mails e outras coisas. Soube que ganhei um sorteio. Minha melhor amiga sentiu minha falta. Tinha dois comentários no blog e algumas interações no twitter. Perdi algumas novidades, mas me surpreendi e isso foi uma coisa boa, aliás ótima. E foi como a primeira vez que entrei nesse mundo. Voltar depois de algumas horas, é bem melhor do que ficar direto, sabe. Claro que, na mesma hora que o modem estava lá, aceso, sustentei o vício pelas outras horas do dia como se nunca tivesse ficado sem a internet. 

O que pude tirar disso tudo? Aprendi nessas 24 horas off-line que a internet é uma coisa que já faz parte do nosso cotidiano. Precisamos dela. É uma coisa boa, mas ás vezes ela instiga nossa ansiedade por novidades, queremos sempre o novo e isso nos faz mal, algumas vezes. É a dualidade desse mundo virtual, faz bem e faz mal. Aprendi que a internet não é tudo que pode nos ocupar , sempre existe outras coisas legais de se fazer e isso a gente acaba esquecendo. Eu sempre esqueço. E nesse dia, eu lembrei, outra vez. Mas, sobretudo, não foi um dia vazio e sim novo, mesmo sendo um dia normal e sem novidades. 

Pra terminar, eu tive uma ideia boa pra você e pra mim: Que tal instituir um dia da semana, nem que seja no final de semana ‘’o dia de ficar off-line’’ ?. Isso vai fazer bem demais, você pode perder algumas novidades, mas experimente, eu também quero experimentar mais vezes. Se não der por semana, faça isso pelo menos uma vez por mês. Aprecie, pelo menos por um dia, as coisas em sua volta, saia de casa, visite algumas amigas. O tempo que a gente vive off nos faz valorizar o tempo que temos online e vice-versa. Não deixe sua vida passar através de uma tela.Sei que é clichê, mas é sempre bom ouvir essa repetição, pra nunca mais esquecer: viva, em equilíbrio sempre, não se esquecendo de fazer as coisas que ama. E seja feliz, acima de tudo. 

O lado bom da vida, às vezes, não está na próxima aba, na próxima conversação ou na próxima janela do navegador. Pode estar no momento em que você disse aquela palavra para uma pessoa especial, olhando bem nos olhos dela. Os nossos afetos não estão presentes no momento em que você ficou olhando os álbuns daquela pessoa no facebook , mas sim quando você foi na casa dela olhar álbuns antigos e reviver lembranças. Faz bem lembrar, por um momento, que a sua verdadeira rede de amigos,  em sua maioria, você não aceitou apertando um botão, mas sim vivendo os acasos e as coincidências dessa vida. E, sobretudo, o lado bom disso tudo é valorizar o momento que você foi mais que um ''arroba'', um ''user'' ou uma referência para alguma hastag e sim, você mesmo, em carne e osso. Humano.

Essa postagem explica a  pausa que dei nos posts desde o dia 10 até hoje. Estou postando todos os dias, ou quase isso, e estava achando tudo perfeito. Mas sabe, às vezes nem sempre dá e isso não é ruim. Foi o que aconteceu na minha segunda-feira, que foi quase toda, offline. O bom é que eu pude aprender de novo coisas que eu já tinha esquecido. E pra você? Como é ficar offline nos dias de hoje? Conta!

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5 Comente!

  1. A gente tem que sair um pouco, respirar. Não é saudável ficar o tempo inteiro por aqui. É bom viver e voltar pra contar.
    Que bom que pelo menos podemos tirar uma reflexão disso e tentar mudar.
    Gostei da ideia do dia de ficar offline, mas vou chamá-lo de dia de viver. Vamos exercitar!
    Um beijo!

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  2. Oie Sabrina! Adorei o texto!
    Como vc disse, hj a internet já virou necessidade. Não é mais apenas um lazer, um passatempo. No ambiente de trabalho, por exemplo, muita gente precisa dela pra manter contatos e prazos (eu, por exemplo, rs). O que gera o vício em se manter conectado são as redes sociais, sem dúvida. Ou nós, que somos blogueiros, queremos sempre estar checando as novidades, comentários, interações ou atualizando nossos textos. A gente acaba se tornando dependente da internet para tudo.
    No meu caso, cansei um pouco do uso do computador e, consequentemente, da internet, por perceber que estava deixando as coisas "reais" de lado. Então, parei por uma semana pra me reequilibrar e por tudo no lugar. Realmente, dá saudade e é díficil. Afinal, hoje, a gente tem vida online tbm. A questão é perceber que a vida offline precisa de uma atenção maior e saber pôr tudo isso na balança é essencial.
    Mas a tua ideia, do dia offline, é perfeita! Dá até pra fazer um post semanal sobre isso, rsrs.
    Bjos!

    Obs: sobre o livro "Losing It", se estiveres interessada, posso te mandar o e-book que li em inglês ^^

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  3. Sem palavras. Quando os outros blogueiros que sigo vão explicar o motivo pelo qual permaneceram inativos, explicam com um escrita tão informal, que chega a ser repulsiva. Mas você, não; você revolucionou isto com esse texto. Impressionado! ^^

    ACESSO PERMITIDO. <3
    Retribui?

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  4. Oi Sá
    Eu tbém tô bem off por causa do ombro fraturado. Adorei o post. Bjos.

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  5. Que ideia heim?! Ficar um dia da semana sem internet. Acho que é bom para ir desapegando. Fim do ano passado fiz uma viagem e acabei ficando uma semana sem internet, sem nem poder ver meus pais no skype. Tive que usar telefone (oh! que novidade) para ligar pra casa e minha mãe chorou na primeira vez que fiz isso, porque foi totalmente inesperado. kkkk
    Mas eu detesto quando a internet cai. Às vezes eu penso em não conectar, mas nunca dá certo. :T

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