O cara

03:00

Eu sempre fui uma garota diferente da maioria. Não tão diferente assim, mas diferente ao ponto de não ser enquadrada numa frase quando falavam ‘’ igual as meninas da sua idade...’’ . Primas, amigas e colegas: meu círculo de amizades era na maioria, feminino. Porém, eu não tinha ações parecidas com as delas.  Muitos conhecem o verdadeiro amor na infância de um jeito perfeito e esperado. Muitos, na adolescência num baile qualquer, depois de uns beijos e muita azaração. Alguns, numa noite de verão num bar, tomando um refrigerante e comendo pizza. Muitos, depois de anos de relacionamentos mal acabados e cheios de mágoas. Algumas pessoas têm uma história linda de amor cheia de acasos por acaso.  Mas eu não, eu conheci o amor de uma forma totalmente inesperada.

Há alguns anos atrás, eu me sentia mal por não viver o que as meninas da minha idade, viveram. Enquanto muitas das minhas amigas falavam dos caras que elas ficavam, eu falava sobre coisas bobas de adolescentes, filmes, séries e fofoquinhas sem importância. Enquanto muitas ficavam com meninos num lugar bem conhecido pela galera jovem de onde eu venho, chamado  ‘‘ruas da fábrica’’ eu só estava preocupada com a prova de história que teria na manhã seguinte. Enquanto algumas fugiam da vista dos pais naquela festa para ficar com o atual ‘’amor de suas vidas’’ eu ficava até tarde vendo ‘’Os padrinhos mágicos’’ no silêncio do meu quarto.  Quando o assunto era ‘’paquera’’ eu nunca tinha nada de legal pra falar e aos poucos, eu ficava de fora da roda de conversa. E me sentia a sem graça.  Encontrar um grande amor não estava nos meus planos. E foi assim, que ele apareceu.

Ele não era nenhum pouco parecido com os meninos que eu já gostei na vida. Exato (gostei) porque eu nunca amei verdadeiramente ninguém e nem conheci o gosto do beijo de outra pessoa. Eu era inocente, boba e um pouco tímida demais pra essas coisas.  Não sei o que se passou mas quando ele me olhou, e eu o olhei, meu coração acelerou e eu senti o que nenhum garoto me proporcionou a vida inteira até aquele momento. Só depois eu fui descobrir.

A gente não se conheceu numa balada, nem através de recadinhos de amigas. A gente não foi pra nenhuma rua escura, nem para lugares distantes pra descobrir o que é ter alguém pra amar. Ele foi ao meu encontro, e eu fui ao encontro dele. Sem nenhuma pretensão ou planejamento. Ele estava ali, o tempo todo. Morava na mesma rua que eu, mas nós nunca tínhamos nos falado. Era lindo, aliás, tinha o sorriso mais bonito que eu já vi. E ficou mais lindo ainda, depois que nos demos o nosso primeiro beijo. E hoje, depois de tantos anos, eu ainda olho para ele e procuro entender como nosso amor foi acontecer. Mesmo depois de tantos beijos dados, brigas, choros, declarações, cobranças e momentos de emoção. Eu ainda não entendo como ele passou a ser a minha metade. Então, parei de ficar me questionando sobre isso e apenas viver esse amor, sem olhar pra trás.

E hoje? Eu posso dizer que o amor da minha vida não precisou de palavras bonitas para me ‘’pegar’’ numa balada e nem se mostrar o cara perfeito. Ele não precisou ser ninguém mais, do que ele mesmo, e assim, foi me tirando daquela cápsula que eu, tímida, me prendia cada vez mais. Me fez saber o que é receber um buquê de flores depois de uma briga e se decepcionar com alguém por coisa boba. Me fez ver a beleza que eu não conseguia enxergar em mim. Ele me fez descobrir que não existem príncipes encantados. E só depois, eu fui descobrir que eu não preciso de vários caras para ter uma grande história de amor. Me fez crer que o primeiro amor não precisa ser uma fase da vida: ele pode ser a grande parte sua história. Eu não preciso de mais nada para me fazer me sentir única, aliás. Apenas da presença dele. E no final de semana, quando eu abrir a porta e ele me abraçar pela milésima vez, eu terei certeza que tudo que vivemos, não foi por mero acaso, mas tudo como devia ser, porque ele não foi um cara, mas sim é ‘’o cara’’.

Essa semana tenho me dedicado bastante à escrita, mas enfim, é só uma fase boa (bem inspiradora, diga-se de passagem). Guardei alguns textos e estou publicando aqueles que não aguentam ficar presos. O texto de hoje é uma crônica, baseado em fatos reais e sentimentos verdadeiros , não só uma ficção. Mas, nem todo texto meu é uma crônica (um dia explicarei isso detalhadamente). Enfim, aos poucos voltarei aos posts variados e anunciarei algumas novidades, mas por agora, gostaria da opinião de vocês sobre os textos, isso me incentiva a escrever bem melhor, acreditem. Tô escrevendo sobre o amor, devo ter no máximo, até hoje uns 2 textos sobre isso. Está na hora de mostrar meu lado romântica pra vocês na escrita. Eu tô até curtindo, sabe? Então é isso, e aí, o que acharam?

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8 Comente!

  1. Belissímo texto ><, menina como você são raras, e ainda encontrou um cara certo. Parabéns, e que o amor seja eterno.

    http://mundodorrx2r4r.blogspot.com.br/2013/03/blitzkrieg-bop-parte-musical.html

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  2. Ah, Sa, que texto lindo! Como sempre, né?

    Não sei se é autobiográfico (imagino que sim), mas me identifiquei bastante. Veja bem, eu também não era igual às minhas amigas. Tudo aconteceu no meu próprio tempo, e eu fico muito satisfeita com isso.

    E, se quer saber, não acho que filmes e séries sejam coisas bobas. "O menininho que eu fiquei e bla bla bla" soa muito mais adolescente para mim.

    E acredito também que o primeiro amor não precisa ser uma "fase que passa". É raro mas, para algumas pessoas, ele é definitivo. Fico feliz de ver que você tem isso na sua vida.

    Um grande beijo!
    E um final de semana maravilhoso para você ♥

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  3. saudade também Sabrina, fiquei muito tempo só soltando posts e respondendo depois, o que me fez perder muitos outros posts das atualizações do painel, mas enfim.

    texto lindo, amor é assim mesmo, não é na balada que se acha, embora não se possa generalizar, mas é né?! no fundo.

    é bom olhar em volta, e que sorte ele ser seu vizinho hein?! haha

    ;*

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  4. Achei o texto uma fofura e ele torna-se melhor ainda ao ser descrito como baseado em sua vida... Lindo!
    Eu também sempre fui muito diferente das meninas que convivia, principalmente na escola... Minha criação sempre fora muito rígida, mas ainda assim, eu posso dizer que aproveito muito bem a vida.
    Quando Deus quis que aparecesse alguém especial, apareceu! Assim como foi contigo. Aquele velho cliché de "o que tiver que ser, será!", sabe? *-*
    Adorei, lindona!
    Beijos

    http://oiflordeliz.blogspot.com.br

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  5. Acho que você tem jeito com a escrita, essa crônica aquece o coração, me lembrou um pouco a mim mesma. Não sou de sair por ai me apaixonando, aliás, nada mais raro que isso, mas não sou ingênua, só me interesso mais pela minha formação intelectual do que por essas coisinhas sem muita importância. Isso me faz achar que sou meio errada e que provavelmente não seria possível que eu amasse, de fato... Mas não existe apenas um tipo de amor, existe um para cada pessoa.

    http://florescerepalavrear.blogspot.com.br/

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  6. Ainnn, que lindo, fofolete!!! Seu texto tá bem romântico sim e gostei de saber dessa fase sua, é uma fase muito boa, aproveita bem e escreve bastante!!!

    Bjokas, minha linda! Fica com Deus.

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    1. Que honra ter você por aqui, pode deixar <3

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  7. Sabrina, que amor verdadeiro!
    Você não foi atrás e isso fez ele ir até você.
    Parabéns! Fiquei emocionada.
    Bjoks

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'' Eu quis encontrar um jeito de nunca morrer, e a partir daí, eu comecei a escrever.''

'' Se tem uma coisa que eu aprendi sobre a dor, é que na maioria das vezes, ela também é a cura''

'' Que eu nunca perca essa vontade de escrever. Jamais. O mundo parece uma prisão, às vezes. Escrever é como abrir janelas.''


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