Um guarda chuva, uma arma

14:50



A cidade está estranhamente fria e todos começam a acordar para o sacrifício de um novo amanhecer. Para enfrentar o novo combate, a nova guerra que começa com o nascer do sol. Mas o sol não nasceu hoje, resolveu deixar que a chuva molhasse esses tipos estranhos que gostam de esconderijos. Cada um em seu próprio casulo, casulo que jamais se rompe para transformar-se em borboleta.

Deveria ser diferente, muito diferente. Confesso que tive minha fase de revolta, na qual eu queria agredir as pessoas da rua com o meu olhar. Hoje faço o contrário disso, sorrio para os desconhecidos. É minha maneira maluca de espalhar um pouco de alegria nessa sociedade.

Mas choveu hoje, todos estavam com seus guarda-chuvas, cobrindo os rostos, encolhidos com o frio. Transformando aquelas hastes de ferro com um pedaço de tecido em uma arma, se preciso for. Pareciam artificiais com aqueles guarda-chuvas coloridos, pareciam marionetes. Todos reclamando do tempo, todos odiando mais um dia de trabalho.

Apenas uma ou outra pessoa fica feliz com a chuva, eu fico quase dando gargalhadas, por exemplo. Pulo nas poças, só abro o guarda-chuva se for uma chuva realmente forte. Fico rindo e cantarolando e deixando o meu rosto molhar-se com as gotinhas de paraíso. As pessoas me olham como se eu fosse uma louca, alguém diferente. Mas é assim que deveria ser. Cada clarear do dia deveria ser uma festa, cumprir uma rotina de trabalho ou estudo também mereceriam comemoração. Eu sei, não é sempre que estamos sociáveis. Mas ser sociável deveria virar rotina, obrigação.

Mas continuaram apressados, com os guarda-chuvas abertos. Reclamaram das poças d'água. Mas também esqueceram que reclamavam do calor e pediam chuva. Agora que chove, todo mundo reclama. E reclamam dos alagamentos que as próprias pessoas causam. A sociedade é uma eterna ambiguidade.

E eu? Bem, continuei caminhando na chuva. Cada poça que eu pulava era um passo de balé. Até que cheguei em casa e continuei observando as pessoas munidas de guarda-chuvas pela janela. Fechadas em seus mundos e preocupadas com a chuva que parecia só chover em suas próprias cabeças. Eu olhei vez ou outra o céu, peguei umas gotinhas de chuva para guardar no bolso da calça e fui fazer o que tinha que fazer. E sorrindo, rindo. Só quero que essa minha alegria continue por toda a vida. Tenho quase certeza de que não serei uma carcerária de mim mesma na velhice. Serei uma eterna alegria em meu espírito.

Gostou do texto? Quem escreveu foi a Gleanne Rodrigues ou @gleanne_, 15 anos, de Fortaleza - CE. É estudante e escritora-blogueira. É fã de Legião Urbana e quer ser Jornalista. Sonha em encontrar um amor verdadeiro que não dure eternamente, escrever um livro, ter uma biblioteca e conhecer o mundo de mochila nas costas. > Este texto faz parte do projeto Você na teia. Participe também! CLIQUE AQUI e saiba como. 

You Might Also Like

2 Comente!

  1. Olá!!!, Deus te abençoe o seu blog ele é um sucesso amei post maravilhoso, estou te seguindo OBRIGADO PELA VISITA, Aguardando retribuição.
    Curta e participe do meu blog, fan Page, twitter, instragam e canal do youtube.
    Blog: http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  2. Bela metáfora! É verdade, que quase inconscientemente, associamos os dias chuvosos a algo "ruim", sem cor. Mas quem faz o colorido do teu dia, é você mesmo. Muito bom!

    ResponderExcluir

Olá, seja bem vindo :) Diga sua opinião e ela será lida e muito bem vinda, ela é essencial para a construção da identidade deste blog!

Sua opinião será respondida aqui mesmo e em seu blog, por isso peço que deixe seu link para que eu possa retribuir a visita.

Temos twitter: @sabrinabyme e @blogspiderwebs; siga para receber todas as atualizações.

Um recado

Estava esperando por você. Antes de continuar, você precisa saber de algumas coisinhas, ó: isso não é um diário, nem um blog de moda. É apenas um blog. E apesar de alguns textos desde site possuírem um caráter bem pessoal [ao enfatizar sentimentos e circunstâncias] e narrativas por inúmeras vezes cortantes e sensíveis em primeira pessoa, nem todos eles possuem caráter auto-biográfico e opiniões da própria autora.

SPIDERTV

PEQUENAS DOSES DE @SABRINABYME

'' Eu quis encontrar um jeito de nunca morrer, e a partir daí, eu comecei a escrever.''

'' Se tem uma coisa que eu aprendi sobre a dor, é que na maioria das vezes, ela também é a cura''

'' Que eu nunca perca essa vontade de escrever. Jamais. O mundo parece uma prisão, às vezes. Escrever é como abrir janelas.''


leia mais em Pensador.info>