Pessoas e pontos de ônibus

02:48


A cada dia que passa eu descubro que a vida é uma grande escalada, daquelas bem lentas e demoradas. Tanta coisa acontece todos os dias, que eu fico pensativa sobre quem eu sou, o que eu penso e o que eu realmente quero. São provações, pensamentos novos, mistérios e oportunidades – eu também descobri que esses são nossos desafios de todos os dias. Olhar o sol e a vida, conhecer pessoas diferentes, sorrir para desconhecidos, sair da nossa zona de conforto , em qualquer escala, é incrível. Nos mover e interagir nos faz querer ser mais do que somos. E nos encontrar por aí. 

Na internet a gente vê o mundo pelo sonho de outras pessoas e acaba querendo viver sonhos que não são nossos. Queremos ‘’tudo-que-é-tendência’’, apreciamos o bonito da vida esquecendo do lado ‘não tão bonito assim, apreciamos a vida perfeita das pessoas que conquistaram grandes coisas. A gente tenta ir pelo mesmo caminho e não consegue. E o que a gente faz? Vive nossa vidinha mais ou menos. Sem tentar coisas novas e sem explorar o diferente, com medo de não causar boa impressão. E sabe, uma das coisas mais legais que eu aprendi essas últimas semanas é que eu quero mais do que tudo, ser eu mesma e não ter medo de assumir isso por aí. Conhecer o mundo de verdade, e não o que as outras pessoas me dizem. Conhecer pessoas e diferentes realidades. E ter algo pra contribuir do meio disso tudo. 

Eu ando observando bastante o mundo. O movimento dos carros, a paisagem do centro da minha cidade e a variação climática. Eu ando observando as pessoas, mais do que normal. Vejo os trabalhadores em seus locais de trabalho, pessoas distintas correndo mundo afora em busca dos seus sonhos, pessoas que já realizaram quase tudo e pessoas que ainda nem sabem o que é ser gente grande. Sinto o cheiro de erva-doce do velhinho calvo do banco ao lado no ônibus, o choro da criança pela atenção da mãe, a busca da esposa pelo cartão perfeito para presentear seu marido em seu aniversário de casamento. Vejo a vida de vários ângulos. De vários jeitos. Do meu jeito. 

Uma das coisas mais interessantes no mundo, no meu ponto de vista, é andar de ônibus. É um tipo de aventura cotidiana que eu adoro. Dá um frio na barriga. Um medo, uma insegurança. Sensações essas, relativamente ligadas as noticias de violência que vemos todos os dias na televisão. Parada e ao mesmo tempo em movimento, dentro daquele coletivo, eu me sinto mais inspirada do que o normal. 

Da janela do ônibus eu vejo o mundo rodar. Eu vejo as pessoas e ao longo do caminho, os pontos de ônibus cheios de trabalhadores e sonhadores. A vida da gente é como esses pontos de ônibus. Estamos parados observando para entrar no nosso caminho, o que decidimos de antemão, traçar. Naquele ponto, vemos as pessoas que estão ali: algumas vão seguir os mesmos caminhos que nós, algumas não.

Então enfim subimos em ônibus qualquer. A vida fica mais complexa quando é vista daquela janela. Você já parou pra olhar em volta? Eu só sei olhar as pessoas e os lugares que eu quero conhecer ou que só passo em frente. Faço isso porque acho incrível e procuro um motivo pra tudo que penso e faço. E aonde eu procuro? Nas pessoas. E no mundo. Fico me estudando o tempo todo. Pensando em novas ocasiões para explorar lugares diferentes. Fico estudando o mundo e os comportamentos. Antes que isso tudo acabe e eu não saiba o fim da história. É nesses mínimos detalhes que construímos o nosso cotidiano e o que somos também, então, jamais deixo as migalhas pelo caminho. Mesmo aquelas que nunca irei usar. 

O fone traz a trilha sonora. O vento na cara, os pensamentos que não saem nem de meia em meia hora. Distraída, me vem de novo, o frio na barriga. É chegada a hora. O meu ponto está próximo. 

- Motorista, pode parar no próximo ponto, na frente daquele bar? É aqui mesmo que fico. 

E quando finalmente chego no meu ponto de parada, eu levanto. Pronta pra seguir mais uma etapa da escalada. E com um mínimo sorriso, típico e esperançoso. Com a fé no próximo segundo acompanhada junto com as minhas tralhas na mochila. Procurando inspirações por aí, a cada passo nos novos lugares em que ouso me arriscar. Conhecendo o antigo desconhecido. Descartando meus medos repetitivos. Vivendo a perigo. Seguindo o caminho e a cada segundo, reafirmar a certeza de que nunca me cansarei de escrever sobre a vida e mais do que isso, sobre como é a vida diante dos meus olhos. Sobre como é viver.

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4 Comente!

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Eu me sinto assim muitas vezes. Fico olhando a vida dos outros e pensando no que vai ser da minha. ônibus é 100% inspiração, é o lugar onde vc vê muita coisa e acontece muita coisa. Tanto nele quando fora, no mundo.
    Esse texto eu tive que comentar, gostei muito. Me identifiquei.

    Beijos, Diário Ciumento

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  3. Nossa me identifiquei completamente com esse texto, e uma coisa legal na sua crônica também, foi que ela me fez imaginar todas as situações citadas, o ponto de ônibus, as pessoas (geralmente com cara fechada quando é horário de pico) e depois você subindo uma ladeira com uma mochila e um sorriso no rosto, com shorts e sapatilha e uma t-shirt estampada... Essa comparação do ônibus com a vida, foi também genial ... Enfim, adorei esse texto!

    Adolecentro

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  4. Sabrina, seu texto me reflete de um tal forma que eu não sei explicar. Estou aqui, estou isolada do mundo e tudo que eu quero me afastar. Mas eu tive que entrar no seu blog - eu não sei pq, vi um tweet seu e tive que vim aqui - e fosse nesse texto que paralisei. Obrigada.

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