Dear friend

13:17





Há algumas semanas atrás eu me queixava com um novo amigo, numa manhã de segunda-feira dentro de uma biblioteca, sobre a minha nova incapacidade de escrita. Inconformada, dizia para ele, lamentando, que por mais que eu tentasse, não era a mesma coisa. Ele também me contava os acasos de sua jornada escrita e artística. Juntos, naquela biblioteca tentávamos achar um no outro a explicação pra tantas mudanças. É inegável. Ele dizia-me que quanto mais conhecimento adquire, menos sentimentaliza as coisas. Concordei em gênero e em número. Hoje em dia tenho muito mais prioridades, como por exemplo, minha vida acadêmia, o aprendizado de línguas estrangeiras e outras dificuldades que ocupam o meu tempo e aos poucos, me matam por dentro. Às vezes tenho a súbita impressão de que o mundo está mais transparente. Sabemos o que acontece de bom, de ruim, e simplesmente aceitamos. E foi isso que aos poucos aconteceu comigo. 

Por aqui, antes - não tão antes - , havia mais melancolia. Havia uma lua cheia na janela, músicas antigas, dor, lágrimas e um relógio que passava as horas tão rápido que quando eu percebia, já era manhã. Havia perdas mas não definitivas. Eu vivia mil vidas numa noite, e a escrita fluía, no cotidiano, numa conversa e em tudo que eu fazia. Eu via palavras em tudo, idéias e mil e uma possibilidades. Eu estudava pessoas. Essa era a minha essência, que me cortava por dentro, que dilacerava o meu ser, mas era a arte escrita que eu insistente, produzia. 

Agora é assim: eu aprendi a matar no meu inconsciente pessoas que ainda estão vivas em mim. Porque elas realmente não existem mais. Há pessoas vivas ainda, que morreram em mim, mas porque eu precisava me libertar delas. E isso já não é mais um bicho de sete cabeças. Estou constantemente revendo os meus conceitos, e tão preocupada com a consequência das coisas que acabei esquecendo-me do agora. Esses dias pessoas que assumiram papéis importantíssimos na minha vida, voltaram a aparecer dizendo estar com saudades. Pensei: como deixei essas pessoas fugirem do meu cotidiano? E na mesma hora respondi: do mesmo modo que eu fugi de mim. Na verdade, até eu sinto saudades de mim mesma.

Então, ainda conversando com o mesmo amigo, ele me perguntou, tímido e sorridente: ''Será que você não consegue lutar pelos seus objetivos sem perder a essência? Tenta!''. E depois disso, introspectivamente, eu consegui achar explicação certa para o que eu procuro. O difícil da vida não é perder coisas ou pessoas. Não é ser bem sucedido ou um zé ninguém. Não é ter sorte ou azar, não é ter tempo para o que a gente considera importante. O que é realmente desafiador na vida, é passar por tudo que tivermos que passar, tanto pelos pódios, como pelas derrotas e mesmo assim, com tudo isso nas costas, conseguir conservar uma coisa que é só nossa: a essência. 

E - talvez -  eu tenha aceitado esse desafio...

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4 Comente!

  1. Sabe que eu andei pensando a mesma coisa? Eu tenho percebido muitas mudanças em mim e nos outros e, depois de uma intensa reflexão, percebi que eu tenho medo de crescer. Que eu tenho medo de sair da bolha em que vivo e descobrir o mundo real. Tudo isso porque eu tenho medo de perder minha essência e meus princípios, medo de perder fé em tudo aquilo que eu acredito. Não é bom, mas pelo menos eu achei o X da questão.
    Que bom que voltou ;)
    Acídia 28

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    1. Pois é, ando refletindo sobre isso também...Ah! Obrigado por estar sempre por aqui, apesar de tudo...Beijin!

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  2. Saudades de te ler por aqui, moça!!!
    Ah, essas fases de mudanças tão incompreensíveis e ao mesmo tempo tão claras! Todos os momentos são válidos em nossas vidas, menina, os bons e os ruins. Curta essa fase e extraia dela o máximo que puder, um dia vai usar a experiência adquirida e lembrar desse post de desabafo.
    Bjokas da Val =*

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  3. "Eu via palavras em tudo", eu também!
    Sumiram!

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'' Eu quis encontrar um jeito de nunca morrer, e a partir daí, eu comecei a escrever.''

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