Ninguém te perguntou

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Você é o sujeito principal de uma história sem protagonistas. Ou melhor, vocês é só mais um dos milhares de protagonistas. Tanto faz. Porque na verdade somos muitos seres. Humanos? Ás vezes. A questão é que já virou rotina, o que era pra ser mais emocionante. No futuro, eu não imaginava a vida assim: acordar, tomar banho e sair - sem esperar o que pode acontecer ao longo do dia - esperando então, o menos pior. Comer, quando der, talvez. Milhares de responsabilidades. Enfrentar filas caóticas. Trânsito caótico. Realidades caóticas que não temos poder pra mudar. Aliás, não temos controle de nada.

O ruim de acordar pra vida é ver que tudo o que você passou no período em que estava ''dormindo no ponto'' não pode voltar nunca mais, e dificilmente irá se repetir. Desculpe se eu tenho déficit de atenção. O ruim de crescer é ter que aceitar as coisas tal como são. Todo mundo um dia já quis mudar o mundo. E como Cazuza mesmo já disse,'' que aquele garoto que ia mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro''. Penso que cada vez mais estou assistindo tudo de cima do muro. O espaço tá acabando. Um dia o muro cai. 

A cama parece mais confortável agora. E ao mesmo tempo que ela me abraça no final de um longo dia, ela me desmotiva a viver a vida e permanecer nela para sempre. Tinha mais gente por aqui antes. Sumiram. Nem percebi. O tempo corre como um jato. Cadê as minhas horas? Foram instantaneamente devoradas por um monstro chamado responsabilidades da vida adulta. Não tá legal isso. É preciso organizar o mundo outra vez. Eu não me encaixo por aqui. Alguém vem arrumar essa bagunça por favor? Deve haver alguns espaço para as minhas ideias quase-utópicas. Não há? Ok. Já era de se esperar.

O que tá acontecendo, eu não sei. O que é mais importante? Sabedoria? Conhecimento? Respirar? O que tem de errado é difícil falar. É a política. É a fome nos países subdesenvolvidos. É o mundo que nunca vai te compreender. É a sede de escrever. É o nada que significa tudo. É o tudo que na verdade não significa nada.  É a falta de dinheiro. As desgraças cotidianas. É o medo, é a síndrome, é o pânico. É o medo de viver, é a síndrome do pânico. São os problemas. É o descaso. É a falta daquilo que mais importa. Dinheiro. É o tempo. São os pódios. São as quedas.Você vai sobreviver. Você precisa resistir. Mais um dia. Outro. E outro.

São os pontos de ônibus lotados, que recebem ônibus igualmente lotados - e você ali, sendo mais um triste cidadão lutador e sonhador. São as chegadas. São as partidas. É o peso do fracasso. É tudo ao mesmo tempo. Você não é de ferro, mas precisa. É o cansaço. É a intelectualidade. É sentimentalizar as coisas. É a sorte. É o azar. É a falta de coragem. É o fim. É o que começou. É procurar fazer o que ninguém fez. E esquecer. Esquecer de você. Não temos tempo pra tristeza. E nem pra baixa autoestima. Não esquecer daquilo que ninguém lembrou. Não pode, não deve. A máquina deve girar. O mundo funciona assim. Tá difícil pra todo mundo. É assim mesmo. Vai doer. Vai sangrar. Vai ferir. Tenha foco. Não é tempo de hesitar. Sua hora  já chegou.

Você realmente está bem assim? 
Ninguém te perguntou.



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