Eu não sei nada sobre o amor
22:12
Crescer em um ambiente extremamente controlado, monitorado e previsível talvez tenha me ajudado em muitas coisas. Mas também me ensinou a confundir segurança com afeto, vigilância com cuidado, controle com presença. Me acostumei a buscar garantias onde deveria haver troca. A tentar prever o outro, medir o afeto, decifrar sinais, evitar conflitos, me adaptar para não perder ninguém. Ou querer que se adaptem a mim.
Aprendi cedo que eu deveria ser verdadeira, sincera, amigável, disponível para quem gostava de mim, sempre. Tudo isso antes mesmo de aprender a gostar de mim mesma. Antes mesmo de entender o que eu queria, o que eu sentia, o que eu aceitava ou não.
Por muito tempo, eu coloquei poder demais nas mãos dos outros. Fiquei refém do olhar alheio, da aprovação, da ausência, da resposta que não vinha, da mensagem seca, do silêncio. Como se o que pensavam sobre mim dissesse mais sobre o meu valor do que aquilo que eu mesma conseguia enxergar.
Em contratos, rótulos, compromisso.
Mas talvez o amor não seja compromisso no sentido pesado da palavra. Não seja uma obrigação. Não seja acordar de manhã e levar café na cama. Não seja permanecer quando tudo dentro de você quer ir embora. Não seja se sacrificar até desaparecer.
O amor também não é feito de declarações, palavras bonitas e grandes gestos, embora tudo isso possa aquecer alguma coisa dentro da gente.
Depois de tantas decepções, traições, quedas, depois de tanto quebrar a cara tentando entender o que era amor, eu comecei a perceber uma coisa: talvez o amor seja, antes de tudo, se comprometer com a verdade.
Ser verdadeiro. Primeiro, comigo. Depois, com o outro.
Ser verdadeira sobre o que eu sinto. Sobre o que eu espero. Sobre o que me machuca. Sobre o que eu ainda não sei nomear. Sobre o que eu desejo, mas tenho medo de admitir.
É deixar a emoção se manifestar.
Eu poderia desistir. Poderia endurecer. Poderia dizer que não acredito mais, que não espero mais nada, que tanto faz.
E, sinceramente, eu teria todos os motivos para isso.
Mas eu não quero desistir.
Porque eu não sei nada sobre o amor.
E tudo o que eu mais quero é continuar aprendendo.

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