Abrindo aspas: Dos monstros que existem dentro de nós

20:12



Cada dia que passo é só um motivo a mais para querer morrer. E por favor, não me venha com sermões ou coisas do tipo. Falar que sou dramática e depressiva, não me comove mais. Tenho consciência da minha situação e nem ao menos sei mais o que sou.Talvez eu não passe desta casca que você vê ou talvez seja o que você sequer imagina. Não posso te dar uma fórmula exata sobre mim, porque nem eu mesma li meu manual de instruções. Não sei nada ao meu respeito e se não me pertencesse, também não iria querer descobrir. Nem ao menos sei quando me perdi do que deveria ser. E o que deveria ser? Mais um rótulo? Uma perfeição estereotipada? Nem de longe.


Meus monstros estão à flor da pele. Minha cabeça é uma bomba relógio. E escrevo, escrevo sobre mim e sobre meus mais profundos medos, para não enlouquecer de vez. Na maioria das vezes, o que me resta é sentar num canto do quarto e me desmanchar em lágrimas. Acabo fazendo isso e caindo de cara mais ainda em meu oceano de sofrimento. É inevitável jogar-se contra a dor.

Falar sobre medos é ao mesmo tempo, falar sobre alma, falar sobre o que faz parte da nossa essência e escolhemos por ignorar. Negar os medos não faz com que eles desapareçam. O efeito é contrário. Os medos sejam eles considerados bobos ou extremantes complexos, quando deixados de lado tendem a se fortalecerem e virarem uma bola de neve. E essa bola vai aumentando, criando velocidade, descendo ladeira e no final, nos esmagam por completo feito formiguinhas.

A alternativa para tentar reverter este drástico final, é enfrentar os medos, por mais assustadores que possam aparecer. É colocar a cara para bater, mesmo que as consequências sejam as mais terríveis possíveis. Afinal, ninguém sai de uma luta contra si própria, inteira. Sempre vai ficar faltando algum pedaço, de vez em quando vai ficar algum espaço que não pode ser preenchido... Mas isso não é coisa que podemos prever ou controlar. Acontece pelo fato de ser inevitável quando se decide não se esconder da vida. O problema é que quando se tratar de viver pra valer e não apenas existir, nosso instinto clama por um esconderijo. Proteger-se do mundo é a palavra de ordem. Mas quando nos esquivamos do que tememos, estamos consequentemente nos esquivando do que é natural e que grande afronta a toda a luta da ação de existir.

Se acuar no canto da parede e chorar até os olhos incharem, não resolve nada. Infelizmente não. Bem que eu queria. Afinal, confesso: tenho medo, vivo do mundo e mesmo o quão prejudicial é continuo me alimentando dele. E então, os dias vão passando cada vez mais rápidos, e a dor, se tornando tão frequente e imperceptível, que quase nem chego mais a senti-la... Ou não percebo, porque já virou rotina. Mas e as feridas? AH! Tenha certeza que elas ainda ardem como se fosse a primeira vez e cicatrizam por todo o meu corpo. A cura é utopia.

Gostaram do texto? Quem escreveu foi a Herlene Santos, 18 anos, Fortaleza/CE. Herlene é blogueira, estudante de Jornalismo e leitora do blog, seus escritos se encontram no blog DEScomplicando. Quer aparecer com algum texto aqui também? É só mandar um comentário nessa postagem com as informações seguintes: *Nome: *Nome do Blog: * Link do post:. ou um email(spiderwebsonline@hotmail.com) - com seu nome , idade e cidade/estado. Boa sorte!

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8 Comente!

  1. Amei o texto, super inspirado.... Eu adoro escrever e admiro muito quem tem essa paixão em comum comigo!

    Beijocas

    Moda Ponto

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  2. Que texto lindo! Adorei o blog dela também! :)
    Você como sempre trazendo o melhor para os leitores!
    Beijos

    http://oiflordeliz.blogspot.com.br

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  3. Sabrina, fico encantada com os textos dessa coluna, eu já disse isso, mas essa autora eu ainda não havia lido. Sobre utopias, eu entendo. E esperar que os medos vão embora sozinhos é uma delas. Um abraço!

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  4. Oi Sá,

    Tudo bem? Gostei do texto, mas achei denso e com uma linha de dor. Espero que seja ficçào e esteja tudo bem com a Herlene.
    Beijos.

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  5. Felizmente eu sempre tive mais fadinhas dentra minha cabeça do de monstros e nunca tive atitude mais pessimista em relação a mim

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  6. Oi! Tudo bem?! Olha, é muito complicado lidar com um sofrimento, chorar como você disse não resolve nada, mas na minha opinião, chorar de certa forma alivia.
    Não sei se você acredita em Deus, mas eu acredito. Confia Nele, ele é fiel e com certeza te compreende e te conforta. Basta confiar!
    Bjs, Ruama.
    http://esquiloscorderosa-ruama.blogspot.com.br/

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  7. Só hoje achei uns 3 textos no mundo blogueiros que estão me definindo. Esse é mais um. Acho que está tudo tão bagunçado dentro de mim, que todo sentimento me define. Tem muito monstro dentro de mim, tem muito medo, tem muita mágoa. É muita coisa que eu quero falar mas não posso. Dói demais. Cansa ter que sorrir pra todo mundo, porque se você não sorrir, falam que você é exagerada. A única coisa que eu queria é que eles se colocassem no meu lugar.


    Beijos,
    Thainá :)
    http://tubaiina.blogspot.com

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  8. Me achei muito na Herlene agora. Estou me sentindo assim.

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PEQUENAS DOSES DE @SABRINABYME

'' Eu quis encontrar um jeito de nunca morrer, e a partir daí, eu comecei a escrever.''

'' Se tem uma coisa que eu aprendi sobre a dor, é que na maioria das vezes, ela também é a cura''

'' Que eu nunca perca essa vontade de escrever. Jamais. O mundo parece uma prisão, às vezes. Escrever é como abrir janelas.''


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