Medo e coragem

17:05


Quando eu era criança sentia medo de coisas normais, quase previsíveis: noites escuras, dos monstros nos armários, bruxas, fantasmas, trovão, insetos esquisitos, andar de bicicleta e cair, filmes de terror.  Medo de coisas reais e desconhecidas. Medo de tudo que eu achava que era real, mas só existia na minha imaginação – que era bastante fértil, diga-se de passagem – o que me fazia ser alguém sem coragem de se arriscar a fazer qualquer coisa em que pudesse resultar no encontro com o que dava vazão ao terror, pavor, revolta. Um alguém inseguro, mas que clamava coragem.

Ter medo sempre foi desfalque. Coragem mesmo era pular de um trampolim diretamente na piscina. Era andar de bicicleta com uma só mão e se sentir a pessoa mais incrível do mundo sobre isso. Era ter coragem de matar aquela barata que aparecia no meio do quarto numa festa do pijama. Era pular corda na velocidade máxima sem cair, sem fraquejar. É poder se lembrar de quem fazia tudo isso e admirar – antigos corajosos, como fazem falta – mas sempre ter audácia de afirmar que com eles, eu jamais conseguia me igualar.

Hoje, medo e coragem me parecem coisas completamente distintas do que eu achara na velha infância, naquela inocência. Hoje nosso medo é o medo de fracassar, errar e arriscar. Medo de ser feliz, medo de amar. Medo de ser quem é e não conseguir agradar. Medo de se destacar, medo de fazer a diferença, medo de ser alvo do que os outros vão falar. Medo de ter medo. Medo de fraquejar.

Hoje coragem é dar o melhor do que você tem para o mundo. Arriscar. Ser feliz, amar e não ter medo de odiar. Falar e acreditar no que diz, sem medo de julgamentos, sem medo de errar. Coragem de ser você mesmo, coragem de ousar e sair do normal. Coragem de se assumir para multidões com erros , defeitos, qualidades e acertos.

Posso dizer-lhes que sou uma eterna corajosa covarde. Meus medos e minha coragem ainda não tem tamanho definido, se é que ambos existem na mesma intensidade. Penso que, em meio a medos e coragens, não existe meio termo e pouco parece, mas ambos se completam. O medo só existe pela falta da coragem, como a mesma só transparece na ausência do medo. Somos feito de medos. Temos muitas coragens, várias e algumas delas ainda desconhecemos. E talvez a maior de todas elas seja a coragem de assumir nossos medos – e sobretudo – de nos aceitar. 

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6 Comente!

  1. menina eu também sou de magé que legaaaal.. LINDA AMEI O POST ARRASOU, FAZ UMA VISITINHA E VOTE NO BG APROVA? http://braguete.blogspot.com.br/
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  2. Eu tenho medo até hoje de coisas "normais".....afinal, qual a lógica de ser normal...

    kk

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  3. Belas palavras Sabrina! Quem dera ainda ter medo dos assombros da infância, mas crescemos e outros medos nos apavora, assim como nossa coragem, que tende a aumentar um pouquinho né =D

    Bjs

    daimaginacaoaescrita.com

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  4. OLá Sabrina, boa tarde !

    Muito legal o teu post sobre o medo, que é tão comum em nós todos, e sabemos também que o medo é uma emoção presente em quase todos os seres da natureza, que se origina do instinto de conservação, evitando que o indivíduo se exponha a perigos desnecessários.
    Mas existe o medo patológico, ou os dos transtornos emocionais, do estresse, e outras fobias...
    Acho que de uma forma ou de outra todos sentem medo.
    Mas penso que o pior medo é aquele derivado de preocupações, em que tememos que possa acotecer algo de mal, a nós, ou aos próximos de nós. Tipo, a violência urbana. É real, existe de fato. Quem de nós não ficaríamos com medo de sair a noite ou de madrugada, sabendo que em determinados trechos do caminho, é comum acontecer assaltos e assassinatos?

    Muito bom o teu texto, pra se refletir em nossos medos, querida Sabrina, aqueles que ainda não ousamos encarar..rsss

    Bjos da LU...

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