Depois dos quinze e antes dos dezoito

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Eu lembro , como se fosse ontem, o ano em que eu, uma menina que estava começando a descobrir o mundo, iria finalmente completar os seus quinze anos de idade. Era tudo novo demais. Aliás, os meus quinze anos representaram uma fase de mudanças pra mim, mudanças felizes, que me faziam acordar todos os dias me sentindo vitoriosa, afinal, cheguei aos 15 exatamente do jeito que eu nunca imaginei que chegaria. Eu tinha acabado de concluir uma das maiores conquistas da minha vida, que era deixar de ser gordinha. Saí do ensino fundamental, finalmente. E isso, diz muito sobre a minha vida, até então.

Enquanto muitas meninas faziam planos de debutante, eu queria outras coisas como aquela viagem maneira ou um presente caro. O que aconteceu, de fato, não foi como eu sonhei, mas me agradou o suficiente. Aos 13 anos, eu era uma menina triste, gordinha, insegura, no ensino fundamental, com uma melhor amiga fiel e sem muitos amigos em quantidade. Depois disso, aos 15 anos, tinha um namoro estável, tinha emagrecido inúmeros quilos, ganhei o presente caro que queria, tinha acabado de entrar no ensino médio, estava fazendo novos amigos, tive uma festa pequena em casa com um bolo e docinhos, melhores amigos reunidos e família também. Recebi o amor das pessoas que estavam ali para prestigiarem o meu dia. Chorei homenageando meus pais. Tinha acabado de criar um blog e não tinha a mínima ideia do que fazer com ele. Isso era tudo que eu não esperava, mas me fazia feliz.

As pessoas tem uma falsa ideia de que quando você faz quinze anos, já deixa de ser oficialmente uma pré-adolescente-mimada e já vira uma mulher. Eu já tinha passado dessa fase um pouco antes. Então, o que mudou mesmo foram os fatores externos, pois meu coração não mudou só porque eu tinha uma idade a mais, mesmo essa sendo simbólica. Essa época parece não ser passageira, mas passa, e passa rápido. Lembro que uma das minhas melhores amigas, sem pretensão, me disse no dia do meu aniversário de quinze anos, em tom de brincadeira, a seguinte frase que sustentam toda a semântica dessa crônica : ‘’ É Bina, saiba que depois dos quinze anos, os dezoito chegam rápido!’’. Eu não dei importância para as sábias palavras da Paty. Mas não é que ela tinha razão?

E hoje estou aqui, numa fase que quero chamar de ‘’depois dos quinze e antes dos dezoito’’. Essa fase que eu carrego, ainda que com dificuldade, as alegrias dos quinze anos e o temor, medo e insegurança, das consequências dos dezoito que ainda nem chegaram.

Falta menos de dois meses para eu ser oficialmente adulta. Eu ainda não sei lidar com isso. Eu sou alguém totalmente diferente do que imaginaria ser. Eu ainda moro com meus pais, e acho que isso vai durar bastante tempo ainda, a não ser que aconteça uma mudança drástica, especialmente no lado financeiro. O meu namorado é o mesmo. As amigas? Só ficaram algumas, prefiro as de verdade, dá pra contar no dedo. Estou cercada de muitos colegas, contatos e afeições superficiais. Não vou ganhar um carro e nem vou me embebedar por aí. Carrego em meu coração decepções amargas sobre tudo e todos. Percebi que algumas pessoas são mesmo apaixonantes. Meu manequim 36 está um pouco apertado. Meu cabelo cresceu e está bem melhor. Ainda continuo roendo as unhas. O blog, graças a Deus, continuou e me fez mudar tudo, nele eu me descobri, descobri do que eu gostava e ele me ajudou a decidir minha carreira também. Eu passei em todos os vestibulares que prestei, sendo que eu pensei que não passaria em nenhum, e se Deus quiser, esse ano já serei uma universitária com direito a trote e horários esquisitos. Já posso votar e decidir quem governa meu país, minha cidade, meu estado. Eu não tenho um emprego. Eu não conquistei grandes coisas. Sou menos feliz do que aos quinze. Eu já sei andar de ônibus sozinha.

O que acontece depois dos quinze e antes dos dezoito? Nada de surpreendente, garanto. Algumas pessoas tem sorte, mas a maioria, vive uma vida normal, de gente normal. Essa fase é a fase da espera, paciência e do adeus. Adeus às facilidades e adeus ao mundo da ‘’assinatura do responsável’’. Você tem privilégios e grandes perdas. Responsabilidades e facilidades.

Eu agora não consigo concluir esse texto com uma lição, ou reflexão. Vivo neste momento uma transição que está em contínua construção. Posso apenas dizer que espero, profundamente, no futuro, poder tirar alguma coisa desse momento que eu vivo agora. Estou mais confusa do que nunca, esperando a maioridade, esperando o melhor, mesmo em meio às tribulações. Mas é o desafio. Mais um desafio que a vida me propõe. Se algo me permitiu viver isso até aqui, não foi atoa. Mas creia que, quando isso passar, algo vai ficar. Se são coisas boas, se são coisas ruins, eu realmente não sei. Quando eu descobrir, eu te conto. 

Prometo.



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8 Comente!

  1. Você escreve muito bem Sabrina, parabéns!

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  2. Como sempre aqui está, Elcimar, um simples leitor, como qualquer outro, lhe redigindo um comentário. Querida Sabrina, saiba que a vida não é tão fácil como imaginamos à tanto tempo atrás. Não o porque, mas o fato é que sempre estamos em constante mudança. O mundo nos exigi isto, ele nos quer mais preparado; na minha opinião, o mundo não é tão cruel, quanto as pessoas costumavam nos dizer, ele nos ensina, de certa forma se preocupa conosco, como um pai. Digo-lhe isto para que possa se encontrar, e vê o futuro será do jeito que imaginar e sonhar, não será fácil! As adaptações ao seu "novo mundo" sonhado, terão que existir. Mas a vida, seu novo pai, irá lhe ensinar tudo. Os dezoito, em breve chegaram, sessenta dias, talvez, menos, mais, não sei, mas chegaram, e quando chegarem agarre-os e use-os para conquistar seus sonhos!

    ACESSO PERMITIDO. <3
    Perdão pelo sumiço.

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  3. O tempo passa realmente muito rápido. Já estou com vinte e dois anos. Isso é assustador para mim, pois há muito sou considerado por alguns como adulto. Um jovem adulto talvez, mas ainda tão confuso. Aproveite muito sua juventude, sua vida universitária, cresça bastante nesse período.

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  4. QUando tinha 14 queria desesperadamente ter 15 anos, ai eu fiz 15 anos e nada mudou hahahha também fiz 18 e nada mudou, nada que eu tenha prestado atenção na verdade. Eu continuo na mesma cidade, ainda não fui pra faculdade e nao tirei carteira e motorista. Mas sempre me dizem que eu mudei mentalmente e eu acho que realmente mudei, então, isso é o que importa né.
    Gostei muito do seu blog
    Beijos
    barradosno-baile.blogspot.com

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  5. parabéns pelo blog, muito legal :D
    Ganhou mais um seguidor!

    family-more.blogspot.com

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  6. Vc escreve bem demais, garota! Vou voltar, dooorei o blog!
    Tem novidade no blog, vai lá!

    http://tequilaeoutrasdrogas.blogspot.com.br/2013/03/dicas-de-viagem-porto-de-galinhas-o.html
    Seguindo vc! boa páscoa!
    Bjs
    @denilzefranca

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  7. Lindo texto, Sa... Parabéns, você escreve muito bem!

    Me identifiquei um pouco com ele, sendo que no meu caso, eu sempre fui muito magricela, tinha espinha na face e nunca soltava o cabelo, mesmo ele sendo na cintura e isso só mudou um pouco aos 18 anos, quando meu corpo começou a se desenvolver.

    Roupas da sessão adulto? Bem... só comecei a usar depois dos 20, antes disso, só davam se eu mandasse apertar. Isso me deixava muito triste.

    Aos 19 consegui meu primeiro emprego, cortei o cabelo no ombro e comecei a andar com ele solto... meu primeiro namorado foi aos 20 anos...

    Com exceção do emprego que foi numa idade razoável o restante foi tudo meio tarde, né? rs rs rs

    Enfim, não fique preocupada com a idade e nem com as responsabilidades que ela traz, pois aos poucos e na hora certa você achará as respostas que precisa. Cada um tem seu tempo.

    E se isso te consola, eu ainda moro com meus pais e não tenho carteira de motorista... hihihiiii Mas são sonhos que não desisto, pois desejo realizar um dia. =^.^=

    beijos, sucesso e Feliz Páscoa.

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  8. Oi, Sabrina! Essas inseguranças são normais e acho que fazem parte do processo de amadurecimento do ser humano...aos 18 as coisas devem e acomodar, mas já lhe adianto. Durante toda a vida haverão fases de incertezas e inseguranças, onde o chão parece sair dos nossos pés. Mantendo a tranquilidade e a coragem, superamos essas fases e saímos delas melhores e mais fortes. Um abraço, Feliz Páscoa!

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