O segredo dos pássaros

10:41


Ao contrário do que muitos pensam, escrever não é uma tarefa muito fácil. Acho que já perdi a conta de quantos textos eu já deixei de escrever e de quantos pensamentos meus já se perderam no meio das minhas memórias quase esquecidas. Escrever requer coragem. Muita coragem. A próxima ideia e a próxima palavras, são escritas e esperadas como próximos capítulos de uma história que só o coração que vai te mostrar. É assim que eu me sinto no começo de cada crônica. É assim que eu me sinto exatamente agora.
E era nisso que eu estava pensando também, quando às 9:00 hrs de um dia comum, um passarinho me contou que a gente acostuma a ser apenas saudade. Que a gente deixa de fazer falta, chora e fica com o corpo mole, na cama. Pensa em escrever mas não sai do lugar. Então chora, chora que nem um bebê mas depois sorri, como ninguém mais se vê. É só esperar um tempinho, tudo sempre vai se ajeitar. A gente tem mania de generalizar momentos, e torna-los irremediáveis. Eu sei. Se eu contar vocês não acreditam.
No outro dia ele voltou. Quem? Ah, o mesmo pássaro, ele mesmo. Na minha janela, a janela do meu quarto. Ele me contou que a gente tem que ter sempre um plano B. A gente sempre tem que estar preparado para uma reviravolta na nossa vida, seja no campo profissional ou emocional. Tudo pode mudar em questão de segundos.  Eu sei que ele me contou, eu pude ouvir além do que escutei. O passarinho me contou, me contou sim, me motivou e por isso estou aqui. Parece coisa de filme , mas que ele estava lá, ah sim, ele estava.
Quando deu as horas vespertinas, me teletransportei pra uns 7 anos atrás. Lembrei da minha mãe, que nessa época ainda não trabalhava, de como ela era organizada e rotineira. Acordava, limpava a casa, fazia almoço e nos dava de comer, quando chegávamos da escola. Víamos os programas de esporte, o jornal (que nessa época eu odiava, mas agora até que eu gosto) e a novela do Vale A Pena Ver De Novo.
Depois era a sessão da tarde.  Lembro do cheiro de bolinho de chuva no forno e sinto ainda o gosto do suco de laranja. Todos os filmes dessa época me remetem a esse cardápio inconfundível, que só a minha mãe sabia fazer. Lembro do sol, que entrava pela janela e do canto dos pássaros lá fora. Esse tipo de felicidade, mesmo sendo parecida com aqueles filmes que víamos na sessão da tarde, era única. Um tipo de felicidade que só o meu coração entende e que faz a vida hoje parecer menos encantadora do que naquela época.
Se você parar para pensar, somos muito parecidos com os pássaros. Eles nascem e tudo que eles tem é uma mãe e um ninho, quem os sustenta até atingirem o ponto mais emocionante de suas vidas: voar. Então eles começam a caçar o seu próprio alimento e a enfrentarem um desafio a cada dia, como nós, nesse mundo. Enfrentar animais maiores, a nevasca e o ser humano tão rude. Mas eles voam alto e baixo, conhecem lugares inimagináveis e sentem a liberdade a cada instante de suas vidas. Mas ser pássaro não é tão fácil. É difícil.  São tão belos que querem os prender e exibir. Mas a beleza deles está na liberdade, na harmonia e melodia constantes. E esse é o segredo dos pássaros: apesar de tudo, nunca, jamais deixam de cantar. Cantar é o que os fazem mais vivos. Aliás, eles cantam, em coro, nesse exato momentos pelos fios de telefone ali na rua.
Já pensou em cantar, apesar de tudo? Tente. No final de tudo, só consigo pensar em escrever e escrever. Relaxar, que tudo sai naturalmente. Já que não temos ferramentas naturais em nossos corpos como os pássaros, uso a escrita, que no final, dá quase no mesmo. É só usar um punhado de memória, algumas tacadas criativas e uma imensidão de emoção. Essas são as nossas asas.
Esperar pelo tempo, não correr contra a correnteza. Escrever é ter um coração (mesmo que ele seja frio e sólido, ou quente e mole, como as lavas de um vulcão). Mesmo sentados em frente à um computador ou um bloco de notas, escrever é abrir janelas, portas, gaiolas...é encontrar uma meio de voar livre. Pra onde? Eu não sei. Pra qualquer lugar. Mesmo presos em um uma gaiola, no mundo-gaiola. Mesmo presos em nós mesmos, a maior das gaiolas (e uma das mais difíceis de escapar, dúvida?).
Como eu sei disso? Ah, foi fácil. Um passarinho me contou. Aquele mesmo. É.

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1 Comente!

  1. Caaaaaaaaaara *o* que texto super lindo, amei amei!

    http://devaneiosdeuma-adolescente.blogspot.com.br/

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