Um coração à moda antiga

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Eu penso demais. Sou sensível e às vezes falo mais do que deveria falar. Eu tenho algo no meu coração que me faz acreditar muito no potencial de todas as pessoas, mesmo aquelas excluídas pela maioria. Elas são as minhas favoritas, porque não se importam em impressionar. Eu nunca me misturei com os mais populares. Eu sempre gostei de ficar na minha, num lugar que eu me sinta bem e que eu não precisava ser nada além do que eu mesma. No canto ou no meio, talvez. Eu já me destaquei várias vezes em silêncio.Eu uso batom vermelho em qualquer horário. Algumas pessoas me jugam pelo que veem ou pelo que escutam de mim, mas eu sei que sou um infinito maior do que elas pensam. Me entender não é questão de julgar, é questão de sentir. Nessa vida já aprendi muita coisa, mas eu sei que ainda tenho muita coisa pra aprender. E, vira e mexe, eu ainda me sinto perdida.

Eu sou um pouco inocente, sabe. Eu percebo isso  principalmente quando eu me decepciono mais comigo mesma do que com os outros. Eu não gosto de me aproveitar de pessoas ou situações. Às vezes, ignoro o óbvio.  Eu me culpo demais por todos os meus defeitos e na maioria das vezes, eu sou a maior vítima deles. Quando as pessoas saem da minha vida, eu sempre acho que a culpa no fundo no fundo sempre foi minha. Eu ainda não sei lidar com coisas que a maioria acha normal. E por isso, por muitas vezes eu penso que quem não é normal sou eu. Afinal, quem é?

Eu sou mais desesperada que a maioria, mas sei tranquilizar. Eu sempre sinto dor, muita dor, mas sei que ela sempre vai cicatrizar. Eu falo demais sobre problemas, é só você me dá uma brecha – eu sei, tenho que parar. Odeio criar expectativas, mas sempre caio em contradição. Não consigo deixar alguém mal e ficar feliz com isso. Não consigo ver o sofrimento alheio e não sentir nem um pouco de dor aqui no meu coração. Às vezes eu não consigo passar o que eu verdadeiramente tô sentindo. Eu me escondo. Eu sou sensível, muito sensível. E é só você falar um pouco mais alto comigo pra eu nunca mais te ver do mesmo jeito que eu via. É a vida.

Às vezes eu acho que sou muito lenta. Mas por vezes, eu acho que são os outros que estão indo rápido demais. Às vezes percebo que sou muito atenta, mas as vezes, sinto que isso é falta de paz. Eu ainda entendo muito bem como as coisas nesse mundo funcionam de verdade. Aliás, eu sei perfeitamente como as coisas funcionam, eu somente não quero seguir o que todo mundo acha que é natural. Todos se alienam em si mesmos e no que a maioria diz. Mas sabe, odeio me arriscar. Pra mim quase nada é tão natural. Será que é difícil de entender?

Eu ainda acredito nas mudanças que a vida dá. Eu ainda acredito na felicidade plena, eu sei que ela está em algum lugar. Eu acho o perdão uma virtude, a mais linda de todas. Eu tenho  fé, ainda que pouca. Ela não acaba. Eu nem sempre sigo a moda. Eu acho a natureza linda, o canto dos pássaros, a chuva e o pôr-do-sol. Eu queria ter nascido nos anos 60, 70 ou 80. Eu quero ter um fusca rosa. Eu sempre me inspiro quando tô no ônibus. Eu ainda escuto rádio. A literatura pra mim é um dom da alma. Pessoas inteligentes me atraem e pessoas idosas me inspiram. Eu não bebo e nunca fui numa balada. Não conheço muito sobre cultura pop e nem o universo dos ditos cults. Aliás, eu odeio estereótipos. Eu não me encaixo em nenhum. 

Eu nunca escrevi um diário, mas hoje não vivo sem uma caneta e o meu caderno de inspirações.Eu aprendi que se eu me esforçar, eu posso me superar. Principalmente em questões do coração. Eu ainda acredito que o amor pode ser parecido com um conto de fadas, mas que o príncipe sempre será imperfeito, como eu. Que as pessoas merecem ser respeitadas, mas além de tudo, se fazerem respeitar. Acredito na segunda chance, em alguns casos, na maioria deles. Afinal, as pessoas têm o direito de errar. Aprendi também que eu não preciso aceitar tudo que me dizem ser verdade. E que a verdade, por inúmeras vezes, terá muitas faces. Tudo é questão de ponto de vista.

Eu ainda não aprendi a controlar as minhas lágrimas quando saem as palavras escritas. Há momentos que me sinto uma adulta de 40 anos e em outros, uma criança de 10 . Eu penso demais no futuro, mas tenho um pé no passado. Sempre ando com um guarda-chuva na mochila. Costumo navegar por momentos e criar hipóteses sobre tudo. Sobre o mundo que há em mim. Quanto mais envelheço, menos uso a razão. Sei que a vida é amarga, mas se a gente quiser, ela pode adoçar. Gosto de leite em pó, leite com adoçante e de laranja com sal. Odeio engordar. Percebi que já tenho muitos calos em meu coração, mas apesar disso, vai ter sempre alguém que vai falar: ''vai um bandage aê?''. Eu sempre choro em filmes de romance em que não há um final feliz. Eu me apego a tudo, principalmente ao coração puro. Acredito que o acaso traz as melhores coisas dessa vida. Mas também sei que às vezes, tudo acaba em despedida. Eu tenho é um coração à moda antiga.


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1 Comente!

  1. Gostei de suas descrições, de sua busca por entendimento sobre si mesma. Isso é interessante e te favorece.
    Especialmente o primeiro parágrafo me chamou a atenção, porque me identifiquei. A gente pode sim, fazer a diferença sem nos misturarmos com os demais. É possível, até porque o que vale mesmo é a crença em nosso eu, na nossa capacidade.
    Saudades de te ler!

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