A que ponto chegamos

12:49




Ultimamente estive um pouco chateada.  Não com a vida, mas sim, com a conseqüência das circunstâncias. Tudo bem que meu coração nunca esteve tão feliz nos últimos anos e eu nunca estive tão bem/tão motivada a lutar pelos meus objetivos quanto estou agora. O que torna essa fase boa é saber o quanto tive que chorar, sofrer e me machucar pra chegar até aqui – mas agora sei que se por acaso tudo vier a mudar, aprendi a lidar um pouco melhor com o sofrimento. Costumo chamar tudo isso de amadurecimento. Uma hora tinha que acontecer.

Sem dúvida, dentre todas as  mudanças que ocorreram na minha vida neste ano,  a grande maioria delas foram em meu benefício, em benefício da minha alma e do meu coração. Tanto em aspectos sentimentais, pessoais, materiais. Tanto faz. Eu deveria estar mais feliz do que nunca. E estou, porém, pra tudo ficar perfeito, algo ainda me incomoda.

O meu problema é quanto à decepção. 

Hoje na minha aula de teoria literária a professora falava sobre o ‘’bode expiatório’', que no sentido figurado, se refere àquele ser que é escolhido pra ser ‘’detonado’’ e assumir a culpa de tudo (essas foram basicamente as palavras dela). Acabei por pensar que, em algumas vezes, acabei servindo de bode expiatório pra algumas pessoas. E isso foi se repetindo ao longo dos anos. As pessoas simplesmente começam a dizer que falei coisas e agi de maneira que eu nunca/jamais agiria. Vêem em mim um inimigo e a possível culpa de todas as suas frustrações e erros. Dizendo assim, ninguém acredita. Mas é uma verdade. Por inúmeras vezes peguei pessoas dizendo por aí coisas que eu não fiz e que eu não penso.  E eu, que já deveria ter me acostumado com isso, apenas consigo me indagar sobre esse tipo de atitude alheia em relação a minha existência nesse universo.

‘’ Eu só queria saber o que eu fiz pra você. Pode me explicar?’’
 Acho que tatuarei isso na minha testa. Não é uma má ideia.

Aí eu vou perguntar à algumas outras pessoas sobre esse problema e todo mundo diz o que é clichê: recalque ou falta de caráter dos outros. Que saco. Eu prefiro pensar que o motivo talvez seja essa minha vontade de querer sempre fazer a diferença. Essa minha vontade de querer mudar o que eu não acho legal. Essa minha mania de fugir quando me faz mal. Minha sinceridade e transparência: eu não tenho nada a esconder do mundo – e por esse mesmo motivo – é que eu escrevo. As pessoas hoje em dia não são acostumadas com esse tipo de coisa. Todo mundo vive por status, aparências e influência. Eu sei do meu caráter, dos meus valores e dos meus sonhos. Eles não condizem com nada do que dizem, pensam e falam.

Então, é por todas essas coisas, que a cada dia que se passa mais eu entendo o porquê de algumas pessoas não conseguirem confiar em ninguém. Isso acontece comigo também. Cada vez mais vou fechando o meu ciclo de ‘’amigos verdadeiros que posso contar sempre’’. Tenho mais conhecidos/colegas, do que amigos de verdade.  Muitas máscaras caíram e muitas verdades vieram  à tona. E eu sempre me decepciono, automaticamente. Sabe por quê? Eu não admito sair  da porta da minha casa todos os dias com um pensamento de que o mundo não presta e eu tenho sempre que me proteger. Gosto de liberdade, de achar que todo mundo é bom, bonito e legal, da ideia de poder simplesmente falar dos meus problemas pessoais casuais com um estranho no ponto de ônibus e não ter medo disso.  Já temos que viver nesse mundo doente, então, que vivamos como irmãos.

Mas essa não é a nossa realidade. Todo mundo sabe. As pessoas querem mais é te derrubar mesmo. Muito difícil encontrar gente legal por aí, gente que não vive numa disputa como se todos nós fossemos eternos e ninguém fosse acabar do mesmo jeito. Um querendo ser melhor que o outro, como se todos as nossas angústias, sofrimentos, tristezas não se assemelhassem nem um pouquinho. Porque no fundo no fundo, todos nós somos iguais. E mesmo assim, ainda tem gente que quer te causar dor. Seja com palavras, ações e omissões.

É aí que vemos a que ponto  chegamos, porque depois de um tempo, você aprende a lidar com a vida adulta. E as decepções, bom, você aceita. Então você vai perceber que a sua única alternativa é ser forte. As circunstâncias exigem isso de você, porque não há mais ninguém que pode assumir esse papel. Só você. Então você começa a matar um ou dois leões por dia, porque você tem que permanecer ali, mesmo ao extremo do que você é capaz. Você não tem mais escolha e nem como fugir, porque você deve isso para todos aqueles que te amam, confiam em você e permanecem sempre ao seu lado, apesar dos apesares. Apesar de tudo.


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'' Eu quis encontrar um jeito de nunca morrer, e a partir daí, eu comecei a escrever.''

'' Se tem uma coisa que eu aprendi sobre a dor, é que na maioria das vezes, ela também é a cura''

'' Que eu nunca perca essa vontade de escrever. Jamais. O mundo parece uma prisão, às vezes. Escrever é como abrir janelas.''


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