O silêncio do meu quarto

17:29


Ao sentar na cadeira, onde fica meu computador, parei para observar em volta. Hoje meu quarto ficou parecido com algum tempo atrás, mais ou menos uns 11 meses. Eu costumava ficar por aqui sempre pela tarde, na companhia dos meus livros, dos meus sonhos e dos meus pensamentos. Geralmente, sempre deitada na cama e ouvindo músicas, como agora. Escrevia pouco. Os meus pensamentos e a minha inspiração eram filhas da madrugada. E floresciam pela manhã, por volta das cinco, quando eu via o sol nascer daqui da janela. Agora é de tarde, e o sol, que está por detrás das nuvens faz  com que a luz entre pela janela do meu quarto. Tá tudo claro.

A cama ainda tem a mesma colcha rosa e minha câmera está no mesmo lugar. O guarda-roupa é o mesmo, aquele antigo e que mal cabe minhas roupas. Ainda tenho músicas pra me acompanhar, isso é bom e acabei de fazer o almoço, isso é ainda melhor. Ainda tenho que dividir ele com a minha irmã e isso não é mais tão ruim assim. A decoração ainda deixa a desejar. Mas ainda sim, estou feliz pois nesse momento estou sozinha, inquieta, preocupada, inspirada e escrevendo.

Nesse quarto costumava ter fotos de algumas pessoas, espalhadas por toda a parte. Algumas fotos estavam no álbum. Esse quarto me traz lembranças boas e ruins, sobre quem fui e sobre quem sou. Aqui onde tanto chorei, tanto sonhei, tanto esperei, tanto dormi, tanto madruguei, hoje, está tão igual a todos esses momentos. Múltiplo. É aqui onde eu posso me despir. Sempre. E ser eu mesma. Isso parece tão clichê. E é.

Hoje em dia esse quarto é aparentemente o mesmo. A mesma cor, os mesmo ursos e as mesmas lembranças. Só que ao mesmo tempo, tudo mudou por aqui. Os móveis. Os livros na estante. Os sonhos já não são mais os mesmos. E as fotos foram todas queimadas. As cartas também. O álbum de fotos está vazio. As roupas no guarda roupa agora são diferentes. Os sapatos também são outros. Já consigo escrever pela manhã, pela tarde e no comecinho da noite. A madrugada ficou órfã. Minha nova vida me forçou a deixá-la.

O espelho no centro do quarto reflete todo dia alguém que me orgulha e ao mesmo tempo me decepciona. O espelho reflete a cama, onde desposo meus pensamentos. Não consigo mais sonhar. Mas esse espelho me lembra que existe alguém por quem tenho que lutar todo dia. Todo dia, é bom reforçar essa frequência. Porque não há nada pior do que desistir de si mesmo. Talvez seja a pior guerra pra se perder. Anota aí.

A música que eu estava escutando parou de tocar. Talvez eu me lembre de inúmeras músicas agora que me façam viajar pra momentos que vivi e me façam ao mesmo tempo desejar viver coisas nas quais ainda não pude viver. Faz silêncio por aqui, agora, literalmente. E bateu uma brisa gelada no meu rosto agora . E essa brisa também, um pouco demorada, vinda pela mesma janela que traz a luz que ilumina meu quarto, me pareceu bem nostálgica. Ela lembrou a mesma brisa daqueles momentos que só eu vivi, que estão guardados aqui dentro.E que ninguém sabe. Ela trouxe tudo o que eu senti.

Eu costumava ser alguém que eu nunca imaginei ser. Todo dia eu lembro. Agora eu sou alguém que sempre quis ser mas ainda estou me descobrindo. E eu sei que no silêncio do meu quarto eu posso ir pra onde eu quiser, pois eu posso ter milhares de decepções, sonhos, pessoas e pensamentos só que aqui, onde sempre sou eu mesma, é o onde posso viajar verdadeiramente. Onde eu deito no final do dia temendo ou esperando alguma coisa. Onde passo a maior parte das horas que estou em casa. E apesar do mundo ter mudado pra mim o meu quarto permanece. Aconchegante, tímido e silencioso. Tão parecido comigo. As coisas mudam. E aqui, não. Tudo fica. Continua sendo o melhor lugar de todo o mundo.

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'' Eu quis encontrar um jeito de nunca morrer, e a partir daí, eu comecei a escrever.''

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'' Que eu nunca perca essa vontade de escrever. Jamais. O mundo parece uma prisão, às vezes. Escrever é como abrir janelas.''


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