Opaco

22:55

 Entardeceu e de repente, eu me vi usando aquele vestido floral que você adora, só que agora, ele se veste por cima de um coração com mais uma cicatriz. Olha só moreno, pra onde nossos caminhos tortos nos levaram. Olha só. Fomos pra longe, bem longe e nos desencontramos nesses becos e vielas do coração. Seria estranho dizer que eu já sabia do nosso destino antes mesmo dele ser traçado? Tudo isso se findou como um roteiro de cinema que eu escrevi nos meus sonhos. Eu começo, um meio e um fim. E isso não deveria ser surpresa alguma, pelo menos pra mim. E às vezes acho que você também pensa assim. Eu queria que fosse diferente e que o meu roteiro estivesse errado. Que pena, moreno.

Quando eu te olhei, quis acreditar no inacreditável, e olha, isso não é de todo ruim. Viajamos pra lugares que eu nunca poderíamos imaginar. Brincamos de para sempre. Agora é como estar no meio de uma multidão ou voltar do ponto de partida. Não adianta, por mais que o verbo ''permanecer'' não seja conjugável para mim, eu quis acreditar que você o conjugaria por mim. Juro. E nesse vai e vem, eu percebi que você não tem vocação para julgar verbos, você odeia português. 

Eu vi no seu olhar alguma coisa que eu jamais havia visto em nenhum olhar durante toda a minha vida. Foi mais do que ver o mar. Era um brilho profundo, que me transferia até a sua alma. E na sua alma, eu podia ser essa menina inocente que sempre fui. Como eu gostava. Era verdadeiro aquele brilho intenso que me deixava cada vez mais presa ao seu olhar. E mesmo depois de um tempo, quando o clichê foi tomando conta de nossos dias, aquele sentimento foi ficando. O olhar brilhava mais a cada encontro. E o meu coração, queria aquilo. O brilho.

Eu tive medo, você me deu coragem. Eu tive insegurança e você pegou na minha mão. Eu quis fugir e você me prendeu. Eu quis fechar os olhos e você me deu o brilho do seu olhar. Eu quis ir devagar e você tinha pressa. Eu tinha pressa e você quis ir devagar. Eu aprendi a ser menos, a querer menos, a exigir menos. Eu aprendi a me doar mais. Eu te dei meu coração, moreno. A certeza era tanta que você ficou na dúvida. Você se perdeu do rumo que nós estávamos traçando. Cansada de te procurar e nadar contra a correnteza, eu fugi.

Fugi porque não quis prolongar essa ida. O sentimento não acabou, ele está guardado nas minhas memórias mais belas, pelo resto de nossas vidas. Nunca pensei que seria dessa maneira, mas eu aprendi a abrir espaços. O coração é uma casa de muitos quartos. E você ainda mora aqui. Mas eu não podia fazer isso tudo por quem não queria fazer nada. Fugi então porque não conseguia mais mergulhar no seu olhar. Me afoguei, desaprendi a nadar. Te olhando agora, desse ângulo, vejo aquele barco. O barco que eu empurrei até aqui. Sozinha. Meus pés estão em frangalhos e meu coração está fadigado. Meus braços, fracos, estão cansados. Seus olhos fugiram das minhas vistas. E o brilho? Se apagou, pois já era noite. Pra sempre noite.Tá tudo escuro. Opaco. Seu olhar ficou opaco. A paixão também tem seus fiascos.


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3 Comente!

  1. Fiascos são diversos na vida...o importante é a beleza interna.....como dessa foto inicial.

    abs

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  2. Sabrina, quero deixar meu abraço de Feliz Natal e desejar que seu novo ano traga mais respostas que perguntas, mas realizações que sonhos.

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  3. Olá, menina Sabrina *_*

    Primeiro: Amei a imagem. Essa coisa sombria é tão awn <3

    Segundo: QUE TEXTO É ESSE, MULHER? Por favor!!! Só posso dizer que rolou uma baita identificação nervosa aqui, viu? É tão o momento que eu tô vivendo que chega a dar medo... Alguns trechos me marcaram profundamente. Tá maravilhoso <3

    Terceiro: Te indiquei para a tag Um pouco mais sobre o blog lá no DEScomplicando :D

    Beijooosss
    http://ahoradevirarborboleta.blogspot.com.br/

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