Em caso de decadência, resiliência

16:35



Sou uma eterna aprendiz. Digo isso porque realmente sou. Além de ter escolhido seguir uma área na qual o estudo e a busca do conhecimento se tornam basicamente perpétuos, eu acho que a vida humana em si é um enorme quebra cabeça e campo minado onde a gente sempre tem que aprender e se adequar e desadequar a um monte de coisa, se não, as coisas sempre parecerão complicadas demais. Nesse contexto, faz um tempinho que venho estudando uma série de coisas nas quais eu considero importante. Umas por prazer, outras por obrigação. Até que um dia, eu descobri que antes de tudo, eu necessitava descobrir e estudar a mim mesma primeiro, antes de me aprofundar em qualquer outra coisa. E é isso que eu venho fazendo nos últimos tempos. 

Não sei se vocês perceberam, mas eu sempre gosto de dar exemplos pessoais nas minhas crônicas. Nunca fui uma pessoa muito exposta, sempre tive completa descrição da minha vida e dos meus ideais, mas hoje em dia, sou quase transparente. Escrevo com a verdade (e por este motivo, aí se encontra a minha grande dificuldade com ficções). Não há muito o que esconder aqui. Além disso, apesar de ter uma alma bem sonhadora e em maioria do tempo, tranquila, passei um bom tempo da minha vida sendo pessimista, depressiva , agitada, e altamente preocupada com fatores externos. Não que os fatores externos não tenham importância, mas na maioria das vezes, não são eles que devem controlar o que somos e pensamos. Depois de tanto sofrer com as confusões externas e as confusões que existem em mim mesma, quase entrei em crise. E foi aí que eu decidi assim buscar uma coisa simples mas muito complicada de se alcançar: a paz de espírito. 

Tudo começou com um propósito: o silêncio. Sempre fui muito silenciosa e isso mudou depois de algum tempo, quando as coisas pareceram novas pra mim. A partir dali, eu comecei a ser um tanto expansiva demais a falar tudo aquilo que eu pensava, e por muitas vezes, aquilo que me incomodava também. O pior é quando eu entrava em conflito com as pessoas erradas, isso fugia completamente do meu propósito de paz. 

Passei a silenciar mais, a encarar as coisas com mais leveza. A não querer ter sempre a razão e retribuir o mal com o silêncio, apesar daquilo me doer bastante. As decepções já doeram muito mais, agora eu vejo tudo como fruto da fraqueza humana, pois reconheço em mim também essas fraquezas. Encarar as coisas assim, nos permite uma visão mais ampla do mundo. Quando a gente tira o foco de nós mesmos, e olha em volta, a gente vê o quanto tem gente aí fora precisando de resiliência. E passa a ter um pouco mais de paciência - com a gente mesmo, com os outros. A luta é diária. 

Onde eu quero chegar com tudo isso? Bem, eu realmente não sei. Eu gosto de escrever sobre as coisas que eu sinto, e nesse momento eu sinto que optar pela busca da resiliência foi a melhor coisa que pude escolher nessa vida. A resiliência é um conceito psicológico emprestado da física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse etc. - sem entrar em surto psicológico. E a gente sabe que com tantos problemas aí fora, é tão difícil encontrar ser humanos saudáveis de alma. Todo mundo é um pouco afetado, todo mundo tem um trauma ali, uma carência aqui, algumas deficiências emocionais e complexidades. Nesse caso, a generalização é super válida. Coisas boas se tornaram motivo de festejo, gestos de humildade e caridade são dignos de troféus. O caos é a nova normalidade e a decadência tomou conta dos nossos dias, das nossas vidas e ações. 

Por isso, meus caros, uma coisa eu faço questão de me lembrar todos os dias: em caso de decadência, resiliência. Minha vida já passou por vários ciclos, já chorei, já sorri, já fiz muita gente chorar e sorrir também. São nessas pequenas minucias cotidianas que a gente vai aprendendo a viver e aí a gente vai se reeducando, vai aprendendo a lidar com algumas divergências que sempre se repetem. Os ciclos da vida são renovações que nos permitem ser um novo alguém sem precisar nascer de novo. É como se o mesmo filme se repetisse, a história pode mudar um pouco mas é semelhante,  os personagens - ainda que sejam diferentes - interpretam os mesmos papéis. O protagonista é você, só que melhor. E perceber isso faz uma diferença enorme. 

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'' Eu quis encontrar um jeito de nunca morrer, e a partir daí, eu comecei a escrever.''

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'' Que eu nunca perca essa vontade de escrever. Jamais. O mundo parece uma prisão, às vezes. Escrever é como abrir janelas.''


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