O melhor e o pior ano da minha vida

22:19

 
Tinha cheiro de maresia e perigo. A música que tocava no momento não condizia com o que se passava nos meus pensamentos. Era a divisão de dois mundos. A elite carioca nos hotéis e o povo comum, ali, no chão, no asfalto, na areia e no mar. A multidão que me cercava me impedia de ver o balanço do mar, aquele que tanto admirei nos melhores dias de sol ao meio-dia e no pôr-do-sol, quando era quase seis. O vento e a brisa, tocavam meu rosto e o sol já se despedia. Era diferente das outras vezes que estive ali. Era uma sensação única, de estar naquele lugar revestido de beleza real no último dia do ano, como  já dizia aquela velha canção:‘’ Copacabana, princesinha do mar, pelas manhãs tu és a vida a cantar, e a tardinha o sol poente,deixa sempre uma saudade na gente''. A noite era quente e a areia adentrava pelos meus pés... e no meu peito, um sentimento estranho também adentrava pelas minhas veias: era o desejo pelo novo. ‘’ Ano novo, vida nova’’ (quando é que vamos cansar de falar isso, hein?). E finalmente, quando as luzes começaram a estourar no céu , à meia noite daquele primeiro dia do ano, eu segurei forte na mão das pessoas que eu amava e desejei que aquele ano fosse realmente diferente. Que ele viesse pra marcar. E essa vontade foi mais intensa do que os outros anos. Sabe-se lá porquê.

Então 2013 chegou. E ainda está chegando. Num piscar de olhos, oito meses já se passaram. Sinto que ele mal chegou, e já vai se retirar. Quando entrei nele, logo no começo, eu fiquei na janela, no banco de trás. Agora eu estou no banco da frente, pronta para tomar a direção. A minha direção. Começo todos os dias que acordo. Lembro de tudo que vivi, nos dias que se passaram até aqui, de tudo que aconteceu esse ano. Depois, imagino sempre sobre o que ainda virá. Sem esquecer do que passou, em cada mês. Os meses, cada um deles, jamais se mostraram tão próprios. Jamais os senti tão intensamente como nesse ano. Passou Janeiro, com aquele cheiro de novo. Fevereiro, com a folia que não me pertencia. Março, com o meu descaso. Abril, como ninguém viu. Maio, mais noites em claro vendo que nada é um mero acaso. Junho, Julho...Agosto! O mês do desgosto? Acho que não. 

Há algum tempo atrás, eu era a menina isolada em casa, que ficava remoendo sentimentos e esperava uma grande resposta. Tinha medo de encarar a vida e vivia triste. Começou a perder o respeito de algumas pessoas. Amigos. Laços de afeto e por fim, ela estava perdendo o ânimo, a fé nas coisas e no mundo – e, sobretudo, perdendo a fé em si mesma. De uma hora pra outra, essa menina que estava lá, sozinha, conseguiu arrumar um trabalho, viu amigos antigos, intensificou laços, fez novos amigos (de todas as idades), ampliou seus contatos, aprendeu mais sobre a vida, o amor e as pessoas e por fim, realizou o seu maior sonho do momento: mudou de universidade. Tudo isso em mais ou menos vinte dias.

Dizem que ‘’A vida da gente é uma verdadeira caixinha de surpresas’’. Pois é. Eu nunca acreditei muito nesses ditados prontos que a gente escutava na TV ou na boca do povo. Mas quanto mais eu vivo, mais eu seu o quão clichê a vida pode ser a cada minuto. É imprevisível, sabe. Tudo. Quando a gente menos espera, as coisas mudam e o mundo gira , vira de cabeça pra baixo. Eu prefiro acreditar em algo melhor: tudo vai para o lugar que deveria ter ido desde o começo, só que primeiro, precisou dar algumas voltas por aí. Para que, ao longo do caminho percorrido, saibamos valorizar cada passo até o objetivo final, que é a conquista. Ou as conquistas, tanto faz.

2013 foi ruim. Porque esperar é ruim. Esperar é aprender sem querer aprender. Porque nós temos mania do imediatismo, queremos saber de tudo na hora, queremos agora. Mas o tempo é o senhor das respostas. E nós, meros alunos da vida nessa matéria eterna. Esperar pelo tempo, seja ele qual for. Quase fiquei reprovada, viu.
 
2013 foi bom. Perdi tempo, dormi tudo que não dormi em 2012. Me consumi de internet. Pude cuidar melhor de mim , em alguns aspectos, em outros, nem tanto. Li alguns livros, vi filmes e aprendi que ficar comigo mesma, ás vezes, não é tão ruim assim. Aprendi que tudo depende da forma como você vê as coisas e que é por isso que realidades parecidas surgem efeitos variados na vida das pessoas e vise-versa. Acho que meu cabelo cresceu um pouquinho também.

Apesar dos apesares, foi simples. Tudo que eu queria. Cada lágrima derrama em 2013 me mostrou o quão dolorosa pode ser a vida. Mas também me mostrou que mesmo assim, a fé e a esperanças jamais podem ser esquecidas. O que me importa e as minhas prioridades, quando perdidas, não podem ocasionar despedidas. Que para cobrir as minhas feridas eu preciso me mover pra isso, sem ficar ressentida. E jamais posso me esquecer, JAMAIS, de regar o caminho para que as flores da amizade e do amor, sempre possam dar bons frutos e fortificar suas raízes .

Se um dia me perguntarem qual foi o melhor ano da minha vida até o momento eu responderei: 2013. Se um dia me perguntarei qual foi o pior ano da minha vida, também. 2013 foi o pior e o melhor ano da minha vida. Onde as piores lágrimas caíram e os maiores sonhos se perderam. Onde os melhores sonhos voltaram a brilhar e onde aprendi muito com a escola da vida. Onde o possível se escondeu no ‘’talvez eu consiga’’. Onde o talvez virou certeza e a certeza gerou mil dúvidas. Ele nem acabou ainda, mas já me mostrou que existem mil e um caminhos, mil e um pensamentos e mil e um trajetos. Mas o seu caminho é seu. Só seu. Não pare de acreditar nele. Experimente e sinta tudo que tiver que sentir. E vê se não esquece: o que é seu, ninguém mexe. Só se você permitir.

 

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3 Comente!

  1. Na verdade, vez ou outra, acabamos percebendo que é o tempo quem dá as cartas da vida. E sempre existirá essa ambiguidade, entre o bom e o ruim, que nos acompanhará pelo resto de nossos dias.

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  2. Oi, tudo bem?
    Primeiramente, gostei DEMAIS do teu blog. Conheci vendo alguns aleatórios e o seu me chamou muito tempo. Vi não só esse, mas como outros posts e achei bem legais. Principalmente a aba de fotografia (que amo também)
    Já estou seguindo aqui, beijo! =)

    Se der visita o meu, que é: shelikesrockn-roll.blogspot.com

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  3. Sabrina, esse foi um ótimo texto! Muitas vezes que venho aqui ler, tenho vontade de sair correndo e escrever haha.
    Fez-me pensar no meu ano de 2013, e em como ele está sendo o oposto do teu, invertido. Parece que já é retorspectiva de dezembro, mas nem é. Louco isso.
    (:

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